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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

SOS Cultura: A cultura pede socorro!

Em vídeo, Andre Andion Angulo, presidente da Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro de Museus (Asbram) e Paula Nogueira, presidente da Associação dos Servidores da Funarte (Asserte) denunciam as degradantes condições de funcionamento e conservação de museus e outras instituições culturais brasileiras como a Fundação Biblioteca Nacional.  



As entidades convidam a todos para um Ato em defesa da Cultura e de seus servidores, que marca o aniversário de 203 anos da Biblioteca Nacional, no dia 29 de outubro, terça-feira próxima. As atividades ocorrerão a partir da 14h, na escadaria principal da Biblioteca, na Avenida Rio Branco, s/n, na cidade do Rio de Janeiro. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ancine lança programa de apoio aos produtores brasileiros

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) lançou nesta segunda-feira (7) o Programa de Apoio à Participação de Produtores Brasileiros de Audiovisual em Rodadas de Negócios e Eventos de Mercado. Por meio da nova iniciativa de promoção do audiovisual brasileiro no cenário internacional, os produtores poderão pleitear auxílio financeiro para participar de cinco eventos no exterior programados até dezembro.


Escolhidos pela Ancine pela importância estratégica, os eventos são: American Film Market, em Los Angeles (Estados Unidos), de 6 a 13 de novembro; Discop Africa, em Joanesburgo (África do Sul), de 6 a 8 de novembro; Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA), de 20 de novembro a 1º de dezembro; Ventana Sur, em Buenos Aires (Argentina); e Asian TV Forum & Market, em Cingapura. Esses dois últimos estão marcados para o período de 3 a 6 de dezembro.

De acordo com o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, a expectativa do órgão é que haja uma presença cada vez mais frequente de produtores brasileiros nesses eventos, como forma de auxiliar a maior inserção de obras no mercado internacional. “Os fóruns de negócios são espaços que, ao reunir parceiros de todas as partes do mundo, permitem um melhor entendimento das estratégias e ações necessárias para uma empresa reforçar sua presença”, disse Rangel.

Segundo a Ancine, o apoio financeiro varia de R$ 1,2 mil a R$ 5,4 mil e deve ser gasto, prioritariamente, com a compra de passagens aéreas. Poderão requerer o apoio representantes de produtoras brasileiras independentes registradas na Ancine que tenham ao menos um Certificado de Produto Brasileiro (CPB) de obra emitido no prazo de 18 meses anterior ao evento pretendido e um Sistema de Acompanhamento de Leis de Incentivo à Cultura (Salic) de projeto em processo de realização no momento do pedido.

As solicitações devem ser enviadas para o e-mail programa.mercados@ancine.gov.br.

Fonte: Agência Brasil

Aldo Rebelo: Que bonito é

 Nenhum outro país associou a música ao esporte como o Brasil – sobretudo se o esporte é o futebol, que, junto com o samba, constituem elementos da identidade nacional. Desde que Pixinguinha compôs 1 x 0 para comemorar a vitória do Brasil sobre o Uruguai no Campeonato Sul-Americano de 1919, a música popular brasileira entrou em campo com sucessos que se imortalizam na boca do povo. 


Por Aldo Rebelo*


 O Governo Federal está relembrando para a Copa de 2014 um desses símbolos musicais, Na Cadência do Samba, de Luís Bandeira, de 1956, que ficou mais conhecido como Que Bonito É ao virar trilha sonora das cenas de futebol do cinejornal Canal 100.

Vários gênios da música se aventuraram pelos acordes da Seleção, a exemplo de Lamartine Babo (Hino do Escrete Brasileiro, 1950), Ari Barroso (O Brasil Há de Ganhar, 1950), Gilberto Gil (Balé de Bola, 1998) mas os gols do sucesso musical foram de Luís Bandeira, do quarteto Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô (A Taça do Mundo é Nossa, 1958) e de Miguel Gustavo (Pra Frente Brasil, 1970). Em qualquer lista não pode faltar o coco 1 x 1, de Jackson do Pandeiro, em parceria com Edgar Ferreira, gravado em 1954. O paraibano Jackson foi um dos artistas da MPB, como compositor ou cantor, que mais homenageou o futebol.

O samba do pernambucano Luís Bandeira, tocado até na Academia Brasileira de Letras como trilha do vídeo do seminário Futebol e Literatura, tem o mérito de estabelecer uma relação automática entre o som e a ginga, ou seja, quem ouve não fica parado, ao menos tamborila. 

Curioso é que a letra original não menciona o futebol – só fala de samba, e isso não se poderia notar na versão mais tocada, só com instrumentos pela orquestra de Valdir Calmon. Mais tarde foram introduzidos na primeira estrofe os versos “Que bonito é / As bandeiras tremulando / A torcida delirando / Vendo a rede balançar”.

Que bonito será como trilha musical do hexacampeonato...

*É Ministro do Esporte

Casa de Rui Barbosa lança concurso para construção de acervo

 A Fundação Casa de Rui Barbosa lança nesta segunda-feira (7), em conjunto com o Instituto de Arquitetos do Brasil do Rio de Janeiro (IAB-RJ), o Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura, para a construção de um prédio anexo para abrigar o acervo de escritores brasileiros da instituição.


O projeto do Centro de Preservação de Bens Culturais conta com recursos do Fundo Nacional de Cultura. Para a execução da obra, porém, há a possibilidade de se buscar financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou o diretor executivo da Casa de Rui Barbosa, Carlos Renato Marinho. “A obra vai ao encontro da política do banco de investimento na área de acervos”, lembrou.

Marinho disse que a ideia de construir um anexo “tem a ver com o colapso da área de guarda do acervo, que hoje ocupa o edifício-sede, no subsolo”. Desde 2003, a fundação vem negociando a expansão, acrescentou. A chance surgiu com a compra de duas casas contíguas ao edifício-sede, cujo projeto data de 1970, onde está localizada a entrada de serviço da fundação, e a perspectiva de aquisição de uma terceira casa no local, para a qual já se conseguiu a emissão da declaração de utilidade pública. A fundação aguarda, no momento, sentença para tomar posse do imóvel.

Concurso

Poderão participar do concurso arquitetos de todo o país. As inscrições permanecerão abertas até o dia 25 de novembro, prevendo-se para os três primeiros colocados prêmios em dinheiro no valor de R$ 35 mil, R$ 25 mil e R$ 15 mil, respectivamente.

O ganhador do concurso receberá os R$ 35 mil como um sinal do contrato, disse o coordenador do concurso, arquiteto Romão da Silva Pereira. “O projeto vencedor, na verdade, ganha um contrato de R$ 1 milhão. Ele vai ter que entregar, como produto para a Fundação Casa de Rui Barbosa, todos os projetos prontos para serem licitados visando a construção”.

Em função do atual espaço físico da fundação, a direção do órgão foi levada a declinar doações de bibliotecas de escritores como Carlos Drummond de Andrade, Octavio Tarquinio de Sousa e Lúcia Miguel Pereira, entre outros.

Romão Pereira acredita que, com o novo prédio, a Fundação Casa de Rui Barbosa poderá se tornar uma referência na preservação de acervos no Rio de Janeiro.

Acervo

Além de material em papel, o acervo que irá para o novo prédio inclui ainda fotos, mapotecas, fitas cassete, disquetes, CDs, além de objetos dos escritores brasileiros. “Isso está previsto para ser guardado em outra área, que é um um salão de exposição, para mostrar ao público o que a Casa de Rui Barbosa tem e que só pesquisadores conhecem. O usuário não conhece o papel da fundação como fomentadora da cultura do país”, ressaltou o coordenador do concurso.

A divulgação do resultado do concurso está prevista para o dia 2 de dezembro.

Apoio aos professores do Rio chega à Feira de Frankfurt

A dois dias da abertura da Feira do Livro de Frankfurt, que começa nesta quarta-feira (9), escritores da delegação brasileira dão sinais do tom político que pretendem imprimir aos debates no maior evento editorial do mundo. O texto, assinado até agora por 24 escritores, apoia a greve de professores no Rio, "como parte da luta pela melhoria da qualidade do ensino público no Brasil", e repudiam a violência policial, pedindo "um amplo debate sobre a atuação da polícia no país".


O Brasil é o país homenageado desta edição e terá mais de 70 autores no evento, entre convidados pelo Ministério da Cultura e por suas editoras.

Nesta segunda (7), o escritor João Paulo Cuenca divulgou no Facebook um manifesto a ser entregue para autoridades e imprensa na cerimônia de abertura, assinado, até o momento, por 24 nomes, incluindo Ferréz, Paulo Lins, Sérgio Sant'Anna e Luiz Ruffato --que fará a conferência de abertura. 

O manifesto, que espera agregar mais nomes até o final da feira, é uma referência à violência que vem marcando os protestos desde junho no Rio --no dia 1º de outubro, a maior manifestação nos últimos meses, iniciada como um ato de professores, terminou com quase 20 pessoas detidas e outras tantas feridas.

"Venho me manifestando há meses e, no último dia 4, num evento em Colônia [parte da programação da homenagem ao Brasil na Alemanha], propus aos meus colegas o abaixo-assinado. Redigimos Luiz Ruffato, Paulo Lins e eu. Não dá para ficar cego ao que está acontecendo no Brasil", diz Cuenca.

Biografias

Outro assunto que deve ganhar espaço no evento é o debate em torno da obrigatoriedade de autorização prévia de retratados para a publicação de biografias no Brasil.

O assunto voltou à tona depois que, no último sábado (5), a Folha revelou o posicionamento de músicos como Caetano Veloso e Gilberto Gil contra a mudança na legislação atual, que permite a biografados impedir previamente a publicação de uma obra.

No Twitter, o escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller "1889" (Globo Livros), disse que tratará do assunto em debate na Feira de Frankfurt, à qual vai a convite de sua editora.

"Nesta quarta, faço apresentação no estande da CBL da Book Fair sobre o sucesso das biografias históricas no Brasil. [...] Defenderei mudança na lei brasileira que dificulta a publicação de biografias isentas. Não às biografias chapa-branca!", escreveu.

O assunto também deve dominar debate com Ruy Castro, um dos maiores críticos aos empecilhos da legislação brasileira para a publicação de biografias, e Fernando Morais, que acontece na sexta. 


Fonte: Folha de S. Paulo

RJ e em SP: Milhares em manifestação de apoio aos professores

Na noite desta segunda-feira (7), dois atos, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, tiveram como motivo apoio à greve dos professores no Rio e contra a truculência da polícia carioca. Milhares de pessoas saíram às ruas em protestos que começaram pacíficos, mas culminaram em atos violentos. 


Pablo Vergara/Brasil de Fato
Manifestação de apoio a professores teve confusão no Rio  
Sindicalistas, estudantes e representantes de movimentos sociais se juntaram aos professores na mobilização do Rio de Janeiro.
Em São Paulo, os protestos ocorreram na Avenida Paulista e em frente ao Teatro Municipal, no Centro; os manifestantes apoiavam ainda a greve de alunos da USP, que defendem eleições diretas para reitor. O ato, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre, faz parte de um calendário de mobilização, que prevê manifestações até quinta-feira (10), quando será realizada outra assembleia de estudantes.

De acordo com informações das agências de notícias, os manifestantes cantavam paródias contra os governadores Geraldo Alckmin de SP e Sergio Cabral, do Rio. 

Em São Paulo, a confusão começou quando manifestantes jogaram bombas contra policiais. Alguns ativistas atearam fogo em objetos e fizeram barricadas na Avenida Ipiranga e na Rua Barão de Itapetininga. Até o fim da noite, destruíram orelhões, bancas de jornal e agências bancárias. Também houve depredações contra ônibus e viraram um carro policial. Alguns ativistas mascarados usaram pedras, metais e madeira para quebrar vidraças de agências bancárias e lojas. A polícia interveio e dispersou a manifestação. Ao todo, sete pessoas se feriram (quatro delas PMs) e nove acabaram detidas, conforme apurou a Agência Brasil. 

Manifestação no Rio
Já no Rio de Janeiro milhares de pessoas seguiram o protesto dos professores estaduais e municipais, que lutam por melhores estruturas no plano de carreira e condições de trabalho. Eles reivindicam também aumento salarial e salários unificados. A manifestação também foi crítica em relação à truculência da Polícia Militar, que na última semana agiu com violência contra os educadores.

Os professores do Rio estão em greve desde o dia 8 de agosto. A categoria também é contrária à proposta de reajuste do governo. Estima-se que a greve conta com uma aderência de 81% das escolas da rede municipal.

Sindicalistas, estudantes e representantes de movimentos sociais se juntaram aos professores na mobilização, que começou na Praça da Candelária e reuniu cerca de 10 mil pessoas, de acordo com a PM. Cifra que muda bastante segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ), que estimou mais de 50 mil pessoas na manifestação.

A marcha terminou em confusão após a tentativa de um grupo de pessoas de invadir a Câmara dos Vereadores. Por volta das 20 horas, manifestantes mascarados tentavam arrombar a entrada lateral da Câmara Municipal. Nesse momento, o protesto estava divido em dois: um movido pelos professores, em frente à casa legislativa. Outro, por ativistas Black Blocs, que tentavam invadir o prédio. Após o início do tumulto, professores deixaram a Cinelândia por não concordarem com o protesto violento.

Durante a Conferência Municipal do PCdoB no Rio de Janeiro, no último final de semana, o Partido aprovou uma moção em apoio à greve dos profissionais da educação, destacando os ataques à democracia e à luta do povo.

Da Redação do Vermelho,
Com informações de agências de notícias

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Do passo à criação

Atriz, dançarina e professora de danças populares brasileiras, Beatriz Miguez busca valorizar as peculiaridades e qualidade do movimento de cada indivíduo. Propondo uma experiência investigativa e criativa por meio do diálogo entre as danças tradicionais brasileiras, a linguagem do teatro e a dança contemporânea, Beatriz acredita que as danças populares são a base da cultura brasileira.

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— O interesse pelas danças populares começou ainda na faculdade. Tive a oportunidade de fazer uma oficina com o mestre Tião Carvalho, que é do Maranhão, atualmente mora aqui em São Paulo, no morro do Querosene, e desenvolve um trabalho de boi lá. Nessa oficina que vi o caroço, coco, bumba meu boi, e foi paixão a primeira vista por esse universo. Fui tomada por um certo encantamento — fala Beatriz.
— Depois fui parar no Teatro Brincante e tive uma trajetória bem bacana lá. Comecei fazendo curso livre, depois o curso de formação de brincante, que nos direcionava a dar oficinas dentro de escolas, SESCs, etc., me proporcionando começar a desenvolver um trabalho de educadora — continua.
O Teatro Brincante foi criado pelo músico e ator Antônio Nóbrega. É um espaço onde inúmeras manifestações artísticas brasileiras são estudadas e trabalhadas.
— No último ano que estive no Brincante, 2011, trabalhei diretamente como o Nóbrega como dançarina profissional, fazendo parte do filme Brincante, que fala da sua vida artística. A partir dessa vivência que tive lá é que comecei a fazer conexões do universo da dança popular com meu repertório como atriz — explica Beatriz.
— Não era dançarina antes, a dança veio para mim exatamente através desse estudo que chamo de artificial, por ser em uma sala e não direto com os mestres nas comunidades. Só depois de uns dois ou três anos no Brincante que fui, com um grupo de amigos, visitar os lugares onde essas danças acontecem de forma natural, fazendo parte da vida das pessoas de lá — conta.
— E isso foi mais uma grande descoberta e rico aprendizado, porque aprender frevo com pessoas que estudaram com grandes mestres do Recife é bem diferente. Quando se chega lá, logo se vê essas manifestações bem claras, do jeito que elas são. E é muito bacana , porque a pessoa percebe que existe uma riqueza muito grande — continua.
Beatriz diz que existem alguns princípios nas danças populares brasileiras que podem servir de ferramenta dentro de um processo de criação de ator.
— Se a pessoa pegar um frevo, por exemplo, vê a forma do passo que é a mecânica, mas, o que me interessa mais não é a mecânica pela mecânica, e sim o que gera aquele movimento, quais são os princípios corporais que levam o corpo a se mover daquela forma — explica.
— Dessa forma se tem várias qualidades, característica que cada uma dessas danças tem, e cada uma dessas formam um vasto repertório de sotaques, movimentos, matrizes, um material enorme que favorece o processo de criação de um ator, dançarino, e também dentro do um processo pedagógico, de uma aula de dança, de teatro. São ferramentas para o processo criativo — continua.