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No nosso blog: Brasileiros, Norte Americanos, Portugueses, Canadenses, Russos, Ingleses, Italianos, Eslovenos, enfim, todos que gostam da cultura Brasileira e que tem nos acompanhado.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

BH tem samba, e da melhor qualidade!

Quem curte o samba de elevar a alma e de bulir as cadeiras de todas as passistas sabe que em Minas Gerais tem Jajá do Partido Alto. Ele que, desde muito cedo vive a arte do batuque e do gingado da cultura de nosso povo, assim como tantos sambistas, foi trabalhador da construção civil e sempre se dedicou à boa música. Compunha sua obra musical, enquanto pintava paredes de prédios construídos. É o DNA desse ritmo de “identidade nacional” que canta mais afro. Agora, o artista se supera lançando o novo CD intitulado Meu povo na beira do mar, com treze faixas inéditas.

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Em 6 de Junho de 1942, nascia em Rio Manso, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Jair Ferreira Pinto. Chamado assim, pelo registro de batismo, parece um nome comum de cidadão, porém, se explicarmos que ele é mais conhecido por Jajá do Partido Alto, a comunidade do samba belo-horizontino aplaude e agradece.
Em 1946, com 4 anos de idade, Jajá partiu com sua família para a capital mineira. Criou-se na Vila dos Marmiteiros, no bairro da Gameleira, Zona Oeste desta cidade.  E foi com seu pai, Jorge Gonçalves Pinto, também operário da construção, que ele começou a gostar de música. Seu Jorge era um sanfoneiro de mão cheia, querido pelos colegas de trabalho.
— O primeiro presente que meu pai me deu foi um instrumento musical. Na verdade foi um presente bastante improvisado. Era um pandeiro feito de aro de latinhas de massa de tomate e tampinhas rebatidas de refrigerante — explica Jajá.
Na adolescência, aos fins de semana, acompanhava seu pai e seu tio em apresentações nos bailes populares em bairros de Belo Horizonte. Seu Jorge comandava a “sanfona cabeça de égua”, seu tio ao violão e Jajá segurava no pandeiro, no surdo ou na “latinha de goiaba”.

Em 1960, aos 18 anos, passou a acompanhar o sanfoneiro De Paulo, em apresentações na tradicional quadra do Esporte Clube América Suburbano, no bairro Salgado Filho, quando se enturmou com os apreciadores do gênero musical ali exibido.
 
Em 1962 passou a integrar o conjunto musical “Rei do Ritmo”, comandada pelo saudoso Amantino. O “Rei do Ritmo” tocava samba, bolero e baião. Jajá aperfeiçoava-se como ritmista e, nesse tempo, combinava a música com a profissão de pintor de parede, ofício este que exerceu por mais 40 anos.
Uma importante passagem de sua rica carreira musical foi quando integrou o Grupo de Samba ‘Marajós’, de 1974 a 1976. O ‘Marajós’ foi um dos principais grupos de samba do cenário musical da década de 1970 em BH.
— Os tempos do ‘Marajós’ foi muito bacana. O samba e o partido alto ferviam nas favelas e no asfalto. Nessa época erámos nós em BH e os Originais do Samba, que tinha o Mussum, em São Paulo. E o Mussum era a alegria do grupo dele” — aponta.
O ‘Marajós’ participava do programa Caxangá e sua gente na Rádio Inconfidência. O programa tinha uma grande audiência e grande participação dos ouvintes. O sambão (sic) do nosso povo era bem difundido nessa época nas Gerais.

Meu povo na beira do mar

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Após o fim do grupo, Jajá passou um longo tempo fora da estrada e do cenário oficial do samba. Com a família crescendo, ele precisou dedicar-se mais a sua profissão de pintor, e o já monopólio das gravadoras e produtoras dificultava que os músicos do povo adquirissem oportunidades para mostrar e desenvolver o talento artístico. Jajá também foi um dos que sofreram essa avalanche da música comercial que tomou conta das gravadoras, principalmente a partir dos anos 1980.
Apesar desses obstáculos, Jajá não deixou de frequentar as rodas de samba da cidade e, também, sempre que possível, tocar com seus velhos e novos parceiros do samba. Considera que personalidades do samba são inesquecíveis, como Bezerra da Silva e Dicró. Jajá não esconde o orgulho de ter conhecido pessoalmente esses dois companheiros, como assim os chamava. Dois outros músicos de referência para Jajá foram o seu xará Jair Rodrigues e Martinho da Vila.
Em 2009, aos 67 anos, Jajá decidiu mais uma vez nadar contra corrente e decidiu reunir um grupo de músicos e lançar de forma independente seu primeiro trabalho em carreira solo.  Partido Alto é o nome do seu primeiro CD e contém 12 músicas de sua autoria.
Agora, em 2014, cinco anos depois, lança seu segundo álbum, Meu Povo na Beira do Mar, assinado por Rogério Pagé (produtor e arranjador) e que contou com um vigoroso time de músicos e ritmistas: Beto Sete Cordas, Rodolfo Simpatia (seu filho), Dona Eliza, Ney do Baixo, Rodrigo, Astral, Baiano e a participação especial de Celso Nonato.
Animado com essa nova etapa da carreira, Jajá esbanja saúde, jovialidade e alegria, que o mantém na firme disposição e com dedicação ao samba. Jajá é dono de uma voz e de um batuque ímpares no samba brasileiro. Ele também compõe marchinhas carnavalescas. E com o lançamento desse novo álbum, deseja compartilhar seu precioso talento em shows agendados em Belo Horizonte, interior de Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
O show de lançamento do seu novo trabalho será no coração de BH. A galera do samba e os amigos operários da construção civil estão ligados no calendário: dia 12 de dezembro, sexta-feira, às 19 horas, no Chopp Praça Sete, ao lado do Cine Brasil, em Belo Horizonte. E com direito a autógrafo do artista! Informações: (31) 9258-1590.

Obras de Kandinsky ficam em exposição no Brasil até setembro de 2015

Uma viagem pela obra do pintor russo Wassily Kandinsky mostra as raízes do seu pensamento, as influências marcantes de sua trajetória artística, sua relação com a espiritualidade e com a cultura popular. Essas são as principais características da exposição Kandinsky: Tudo Começa num Ponto, que promete um mergulho completo no universo criativo de um dos pintores mais influentes do século 20, considerado o pioneiro do abstracionismo.


 o pintor russo Wassily Kandinsky (Wilson Dias/Agência Brasil)
Uma exposição, em Brasília, mostra a trajetória de um dos artistas mais importantes do século 20: o pintor russo Wassily Kandinsky /Wilson Dias/Agência Brasil
São mais de 150 peças, que incluem quadros de todas as fases do pintor, símbolos religiosos, roupas, instrumentos e tambores usados em rituais do xamanismo - corrente espiritual russa importante para a arte de Kandinsky -, ilustrações, coleções de objetos de cerâmica, xilogravuras litografias, além de trabalhos de artistas que influenciaram e se relacionaram com Kandinsky.

 o pintor russo Wassily Kandinsky (Wilson Dias/Agência Brasil)
Uma exposição, em Brasília, mostra a trajetória de um dos artistas mais importantes do século 20: o pintor russo Wassily Kandinsky /Wilson Dias/Agência Brasil
É a primeira vez que uma exposição como essa sai da Europa. A mostra, aberta ao público na semana passada, fica no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília até janeiro, quando segue para o Rio de Janeiro; para Belo Horizonte, em abril; e para São Paulo, em julho.  A entrada é gratuita.
“Esta exposição é um conjunto de obras nunca antes vistas em nenhum outro lugar do mundo dessa forma. São obras raras, pois em sua maioria correspondem a períodos bem do começo da criação da arte abstrata, em meados dos anos 1920. Isso é inédito para um acervo dessa magnitude e um evento bastante importante para a programação cultural brasileira”, disse à Agência Brasil o coordenador da exposição, Rodolfo de Hatayde.
As obras vieram, principalmente, da coleção do Museu Estatal Russo, de São Petersburgo, além de quadros do acervo de mais sete museus da Rússia e coleções procedentes da Alemanha, Áustria, Inglaterra e França.
A exposição está organizada em cinco blocos, que contam a trajetória artística do pintor. O primeiro deles mostra as raízes de sua obra e a relação com a cultura popular, o folclore russo,  as lendas e contos que o artista vinculou à sua criação. Outro espaço está é reservado para a influência do universo espiritual e estético do xamanismo nas obras de Kandinsky.
Há também espaços dedicados às experiências no movimento Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), fundado na Alemanha pelo pintor, à amizade de Kandinsky com o compositor alemão Arnold Schonberg, e um bloco voltado para os artistas contemporâneos a Kandinsky .

 o pintor russo Wassily Kandinsky (Wilson Dias/Agência Brasil)
Uma exposição, em Brasília, mostra a trajetória de um dos artistas mais importantes do século 20: o pintor russo Wassily Kandinsky /Wilson Dias/Agência Brasil
Outro espaço da mostra é interativo e convida o público a fazer uma imersão em um dos quadros de Kandinsky. Com óculos de realidade aumentada, é possível ver o quadro se desmembrando de acordo com o movimento do visitante, e acompanhar toda a complexidade das obras do artista.

 o pintor russo Wassily Kandinsky (Wilson Dias/Agência Brasil)
Uma exposição, em Brasília, mostra a trajetória de um dos artistas mais importantes do século 20: o pintor russo Wassily Kandinsky /Wilson Dias/Agência Brasil
A história do pintor é contada em um vídeo produzido especialmente para a exposição. Nascido em Moscou, Kandinsky estruturava suas telas a partir da ideia de que cores e gestos eram capazes de transmitir uma mensagem intrínseca. Na concepção do artista, suas formas eram acionadas para criar um impacto psicológico.
“Ele foi um dos primeiros a criar uma teoria especial sobre as cores e sua a composição no sentido estrábico. Kandinsky abriu as portas para que uma pintura fosse alguma coisa mais que uma simples representação da realidade e que a arte permitisse expor sentimentos, ideias estrábicas e fazê-lo de um modo tão belo como ele o fez nas suas obras”, finaliza Rodolfo de Hatayde.

Capoeira: De crime a patrimônio mundial


Jairo Junior *

No dia 24 de novembro de 2014 a expressão cultural descrita, como luta, dança jogo acrobático e modalidade esportiva, a roda de Capoeira, foi declarada como patrimônio imaterial da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).


A decisão ocorreu durante a 9ª sessão do Comitê para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da agência. A Capoeira nasceu da luta contra a escravidão no Brasil e por isso simboliza a resistência negra no nosso país não só no período da escravidão. Seu reconhecimento como patrimônio mundial reforça o valor da herança cultural afro-brasileira.

Esta vitória histórica é na verdade resultado direto de outra conquista, a época pouco valorizada em termos de mídia, por conta de ser sido obtida durante o segundo mandato do governo do Presidente Lula! Em 2008 sob a égide do governo do Presidente Operário, a Capoeira foi reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

É inquestionável que foi sob os auspícios de governos democráticos e progressistas que a Capoeira sempre obteve vitórias. Umas mais relevantes outras menos, entretanto sempre proporcional aos que suas lideranças conquistaram de unidade, conscientização e articulação política. Foi assim durante o período final da monarquia, foi assim no inicio do século passado e foi assim quando foi reconhecida por Getúlio Vargas como único, naquela época, esporte nacional.

A capoeira, assim como o carnaval, o samba e o futebol faz parte do conjunto dos grandes ícones contemporâneos representativos da identidade cultural brasileira. Cada um deles possui uma história própria de ascensão, inclusão e/ou tensão em seu processo formativo como símbolo nacional.

A capoeira é oriunda da experiência de luta contra a opressão sofrida pelos africanos e seus descendentes no Brasil. Conta em sua trajetória histórica a força da resistência contra a escravidão e a síntese da expressão de diversas identidades étnicas de origem africana. Se o carnaval, o futebol e o samba, este último, também, já tombado como patrimônio cultural, alcançaram um alto nível de representação da identidade nacional. Ao longo do século 20, qual lugar terá a capoeira junto a essa mesma perspectiva no século 21?

Tal como o futebol, a capoeira está presente em praticamente todos os lugares do mundo, do Japão ao Canadá. Ao mesmo tempo, como acontece com o carnaval e o samba, ela é uma rica expressão da cultura afro-brasileira, tanto no Brasil como no exterior.

Entretanto a Capoeira engatinha na busca de condições legais e estruturais para fortalecê-la. Sua enorme força e abrangência se debatem diante das limitações “políticas” de suas lideranças que gastam interminável tempo discutindo questões pra lá de secundárias e localistas. Enquanto isso parece não perceber que as conquistas futuras e o fortalecimento de sua prática dependem, sobretudo, da capacidade de seus praticantes, adeptos e lideres de construírem uma unidade mínima para que em tornos das bandeiras principais e irrefutáveis possam construir um novo amanhã. Afinal a Capoeira que já foi crime, é patrimônio imaterial da humanidade nos “ensinando” que para chegarmos onde precisamos é necessário que saibamos o que queremos.


* Presidente Associação Brasil Angola (AABA); Diretor do Centro Cultural Africano (CCA); Coordenador do Congresso Nacional de Capoeira (CNC)

Não se amplia a voz dos idiotas


Jandira Feghali *

“Não se amplia a voz dos idiotas”. Mesmo tendo como referência esta citação de Millôr Fernandes, é impossível, diante da reincidência e pelo espaço que ocupa, evitar o mesmo com Bolsonaro. Suas ofensas inaceitáveis, ditas ao bel prazer para deleite de uma meia dúzia sanguinária, põem à mostra os monstros internos do parlamentar viúvo da Ditadura.


O defensor de torturadores cultua o crime do estupro, ofende negros, homoafetivos e feministas a partir de uma linha de raciocínio frágil e débil, mas que levam ao delírio seus seguidores, igualmente intolerantes e saudosos do período de exceção.

Seu campo reacionário, alinhado a grupos pró-ditadura militar, fascistas e imbuídos de um sadismo doentio, resolveu romper o silêncio, apesar de minoritário. Não é à toa que se pode dizer que a Direita saiu do armário no Brasil. Forças neoliberais e conservadoras deram os braços e casaram-se num momento importante para o país.

E este enlace do atraso com o ódio tem sido abençoado pela Grande Mídia, que busca promover um sentimento anti-esquerda, contra tudo ligado às ideias progressistas. Bolsonaro se alimenta deste resultado para abocanhar eleitores. Uma relação simbiótica e oportunista, onde os ganhos que imaginam ter significam perdas para a democracia.

Ao dizer que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT/RS) por ela “não merecer”, da tribuna da Câmara dos Deputados, o parlamentar atacou todas nós. Tenta acertar a atuação da Comissão Nacional da Verdade, mas acabou por atacar as protagonistas desta luta, mulheres, mães ou filhas, avós ou netas, chefes de família, estudantes e ativistas. Agrediu todas com sua virulenta expressão machista, misógina e criminosa. Arremessou o ódio incrustado em sua mente e em seu coração na direção de todas as mulheres, se autodeclarando um possível estuprador, naturalizando um crime hediondo da tribuna parlamentar. Absurdo!

Até as Organizações das Nações Unidas (ONU) se manifestaram, repudiando as declarações do deputado. Disse o que viemos afirmando: “uma ofensa não apenas para a deputada, mas também para a dignidade das mulheres e de todas as vítimas de abusos graves como violência sexual e estupro”.

Não, Bolsonaro. Nenhuma de nós merece ser estuprada. Seu “ato falho” diante da Nação só mostra o quanto o senhor é intolerante e preconceituoso com os mais variados grupos sociais do país. É lamentável que no debate de ideias, exigido para uma atuação séria no Parlamento, vossa senhoria se perca diariamente em ofensas.

O Partido Comunista do Brasil, junto do PT, PSB e PSOL já mostrou o caminho junto ao Conselho de Ética da Câmara e à sociedade: a cassação do mandato de Bolsonaro através do Conselho de Ética e Conduta Parlamentar da Casa. O documento está em trâmite, ao mesmo tempo que uma petição pública coleta agilmente 500 mil pedidos por sua saída. Vale lembrar que não é a primeira vez que o deputado é alvo do colegiado ou de instâncias externas por conta de suas ações ou declarações.

Bolsonaro não passará. A impunidade tornaria muito difícil a convivência e credibilidade do parlamento brasileiro. Seu ódio latente, sempre justificado como “oposição ao Governo”, pode ressoar para poucos, talvez até tomar forma como voto de protesto, mas jamais terá eco em nosso país. A caricata ironia com que prega a violência sexual será derrotada pelos órgãos de justiça e da corregedoria do Parlamento. Um Bolsonaro incomoda muita gente, mas para os indivíduos e grupos que pensam como ele, a nossa democracia incomoda muito mais.

* Foi Deputada Estadual, está no quinto mandato de Deputada Federal, Secretária de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói e Secretária Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Relatou a Lei Maria da Penha e atualmente lider do PCdoB na câmara dos deputados

Deputados e gestores querem desburocratizar Programa Cultura Viva

 A última edição deste ano do Expresso 168 da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados reuniu gestores e parlamentares, no último dia 9 de dezembro, para discutir os  desafios da regulamentação da lei que transformou o Programa Cultura Viva em política de Estado. O encontro foi realizado na semana em comemoração aos 10 anos do programa.

Agência Câmara
A regulamentação está em processo de elaboração por um Grupo de Trabalho no Ministério da Cultura, que conta com a participação de gestores e produtores de cultura do país.  A regulamentação está em processo de elaboração por um Grupo de Trabalho no Ministério da Cultura, que conta com a participação de gestores e produtores de cultura do país. 
 A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) foi quem abriu o evento, destacando que a Lei Cultura Viva é a política pública mais inovadora dos últimos tempos. “Isso porque a lei é inspirada nesse conceito de que é preciso reconhecer aquilo que já é produzido e praticado por milhares de brasileiros, que através das suas histórias conseguem produzir toda essa riqueza cultural.”

A presidenta da Comissão de Cultura, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), explicou que a realização do Expresso 168 serviu também para discutir os meios de simplificação da lei, uma vez que muitos pontos de cultura esperam recursos há muito tempo. “Realizamos esta edição do Expresso 168 para dar os encaminhamentos às questões decididas pelo Parlamento e tocadas pelo Ministério da Cultura, para que não fechemos o ano sem uma sinalização dessa desburocratização da lei”, finalizou.

A regulamentação está em processo de elaboração por um Grupo de Trabalho no Ministério da Cultura, que conta com a participação de gestores e produtores de cultura do país.

Lula Dantas, representante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, reclama que a relação do Estado com os agentes culturais ainda é excessivamente burocrática. “O importante é não cometermos os mesmos erros do passado, apenas trocando nomes dos instrumentos e mantendo as mesmas referências. É necessário que o Estado entenda que fazer cultura é diferente de construir uma ponte”, destacou.

Davy Alexandrisky, membro do Conselho Nacional de Políticas de Cultura, concorda com Dantas, destacando que o Ministério da Cultura regulamentou a lei à luz do instrumento antigo do convênio que era a maior perversidade. E sugere, como parâmetro a ser seguido, a modalidade prêmio. “O prêmio será entregue para algo que já aconteceu e que rendeu bons resultados. E as regras do prêmio não abrem mão do bom uso do dinheiro público”, explicou.

“Bicho-papão”


Para a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Helena Gonçalves Rollemberg, para desburocratizar o processo é preciso dar maior visibilidade de como fazer a parceria entre o Estado e os Pontos de Cultura.

“Tínhamos uma expectativa de utilizar a simplificação de contas que já estava sendo construída no Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, mas com o adiamento deste marco tivemos que ousar e apresentar já uma primeira estruturação dessa prestação de contas que reduz essa parte de documentação a ser entregue e foca nos resultados”, explicou a secretária. Segundo ela, a regulamentação será feita de maneira gradual e responsável.

De acordo com Marcelo Bemerguy, do Tribunal de Contas da União (TCU), o processo de prestação de contas é inevitável quando se trata de dinheiro público, mas não precisa ser encarado com um “bicho papão”. “Com esta lei, teremos a oportunidade de usarmos nossa criatividade para construirmos essa nova relação. Mas o TCU não é vilão, não fica a espreita para pegar ninguém”, afirmou.

Com informações da Comissão de Cultura

Manifestações culturais da região são representadas em arte monumental no CIEP de Piraí


Libânia Nogueira/estagiária
Piraí

Piraí – Desde setembro deste ano o CIEP 158 – Professora Margarida Thomson, em Piraí, tem sido alvo de admiração pelo seu novo visual repleto de arte e cultura. Um muro localizado na entrada da instituição está sendo contemplado com a chamada arte monumental (ou mural), a partir de um programa do Governo Federal, com parceria dos Ministérios da Educação e da Cultura, que aborda a temática da influência cultural afrodescendente e nacional. O coordenador do projeto, que foi aprovado através de um edital, é o professor de artes Francis Moraes Marques, que em sala de aula ensina aos alunos do 5º ao 9º ano o passo a passo para a construção dessa arte.

E com representações de elementos culturais da região, como o jongo, a capoeira, o costume da procissão de Nossa Senhora Aparecida, a tradicional cavalgada que segue o trajeto de Dom Pedro e folia de reis, a arte mural é executada pelo professor e um grupo de alunos do curso profissionalizante de arte em Barra Mansa, onde o mesmo ministra aulas desde 2012. Segundo Francis, essa arte é especialmente profissional e necessita de habilidades técnicas, e por isso os alunos do CIEP, por enquanto, não podem realizar. Mas mesmo assim os estudantes acompanharam todo o processo e coletaram informações desde a essência, a partir do mapeamento das manifestações culturais, os alunos foram ao Museu Casa do Pontal e no Sítio Roberto Burle Marx, ambos na capital fluminense, onde puderam ter contato direto com importantes obras.

Sobre a arte monumental (ou mural)
De acordo com Francis, “a arte monumental é como se você tirasse a obra de arte do museu e expondo para as pessoas no muro”. A arte mural existe desde os primórdios, na época das cavernas, e com a evolução surgiram outras oportunidades e espaços para expressar a arte, como as igrejas. No século XX outro tipo de arte monumental surgiu, os mexicanos ‘muralistas’, foram chamados pela população para fazer esse tipo de arte em muros para mostrar que o México era um país rico e contaram a história do país no palácio do governo e com a elevação da cultura levou o país a fazer a reforma agrária.
No Brasil a arte monumental teve cunho social, mas foi  para expressar a pintura brasileira como identidade nacional, Portinari e Di Cavalcanti pintavam muros institucionais, teatros e também locais particulares. A intenção era mostrar o povo e cultura brasileira, na década de 50, no início do modernismo brasileiro, apresentar a cultura e diversidade sendo desenvolvida.

Foram três meses de preparação de desenho e três meses de execução até então, mas a conclusão está prevista para daqui a três semanas. A intenção de Francis é preparar os alunos para que os próprios pintem o muro a partir do ano que vem, mas para isso é necessário a formação adequada, com as devidas técnicas profissionais de qualidade. “Mostrar que tem possibilidade de pessoas que moram na comunidade terem contato com aquelas informações, sem precisar ir ao museu a comunidade pode conhecer a arte”.

O professor lamenta a deficiência de cursos voltados para a área artística na região e espera conseguir ampliar o programa para outros municípios. O curso que ministra em Barra Mansa conta com 80 alunos em seu projeto, além de um grupo com 30 alunos que já exercem a profissão. No curso são oito meses para preparação de desenho e dois anos para pintura. A atividade é gratuita e direcionada para o público que tenha a partir de 14 anos. O projeto acontece na Estação das Artes, no Centro de Barra Mansa.

O retorno está sendo positivo, de acordo com ele e com a diretora Ana Paula Ferreira da Silva. Os alunos, professores e transeuntes que passam em frente ao CIEP interagem e elogiam o trabalho que está sendo desenvolvido. Algumas pessoas que observam confundem o trabalho com grafite, mas a essência é completamente diferente de acordo com o artista. E para Francis esse projeto artístico envolve história, cultura e tem cunho social, principalmente por apresentar à comunidade uma cultura pertencente a ela, porém às vezes desconhecida.

“Isso vai servir para que as pessoas voltem para a história e conheçam a própria cultura, que muitas vezes é deixada de lado e que faz parte do contexto de povo e sociedade, mostrar o valor que tem a sociedade, é um processo muito significativo para a construção civilizatório”, contou o professor, enfatizando que houve preocupação para não prejudicar a estrutura visual de todo o espaço, especialmente do CIEP.

Francis se sente satisfeito com todo o processo do projeto e principalmente com o interesse dos alunos. E ao analisar o início da sua carreira, após o término da faculdade, no Rio de Janeiro, quando voltou para Barra Mansa, o professor sentiu a necessidade de estimular futuros artistas para romper a singularidade.

“Eu fico muito feliz, primeiro que é um projeto de vida que eu sempre tive e como me senti sempre muito sozinho nesse contexto, quando voltei da capital eu não tinha espaço, mesmo que eu quisesse ser pintor eu ia ficar isolado. Dar aula foi uma necessidade, esse projeto é um objetivo sendo alcançado. Eu quero mostrar para os alunos que se eles quiserem eles têm chance, há um caminho para eles”,  declarou o professor esperançoso com a continuidade do projeto.









Para que jamais se repitam no Brasil crimes de lesa-humanidade

O Brasil deu um enorme passo no sentido da reconciliação entre a história, a verdade e a justiça, com a entrega à chefe da nação e divulgação para todo o povo, do Relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), na última quarta-feira (10), Dia Internacional dos Direitos Humanos, em solenidade no Palácio do Planalto.


O documento é um divisor de águas e, embora com atraso – porque o país foi democratizado a partir de 1985, quando acabou o regime militar – finalmente conhece por inteiro a verdade documentada em ato oficial. Até então, já se sabia da maioria dos fatos, por meio da denúncia de organizações políticas e de direitos humanos, movimentos sociais e familiares de mortos, desaparecidos, ex-presos políticos e todos os que de uma ou outra maneira foram vítimas da violência e dos vexames infligidos pela ditadura.

O trabalho exaustivo e detalhado da CNV confirmou 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país.

“Essa comprovação decorreu da apuração dos fatos que se encontram detalhadamente descritos no relatório, nos quais está perfeitamente configurada a prática sistemática de detenções ilegais e arbitrárias e de tortura, assim como o cometimento de execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres por agentes do Estado brasileiro”, diz o texto.

O Relatório da CNV apontou que mais de 377 pessoas, entre militares, agentes do Estado e até mesmo ex-presidentes da República, foram responsabilizadas por essas ações ocorridas no período que compreendeu a investigação. O documento diz ainda que as violações registradas e comprovadas pela Comissão Nacional da Verdade foram resultantes “de ação generalizada e sistemática do Estado brasileiro” e que a repressão ocorrida durante a ditadura foi usada como política de Estado “concebida e implementada a partir de decisões emanadas da Presidência da República e dos ministérios militares”.

Entre as pertinentes recomendações feitas pela CNV está a responsabilização jurídica dos agentes públicos envolvidos nessas ações, afastando a aplicação da Lei da Anistia (Lei 6.683/1979) por considerar que essa atitude “seria incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional, pois tais ilícitos, dadas a escala e a sistematicidade com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade, imprescritíveis e não passíveis de anistia”.

O documento foi saudado pela presidenta da República, Dilma Rousseff, ela própria vítima da tortura quando foi militante de uma organização revolucionária e presa pelo regime militar, como uma homenagem ao caminho democrático que o país percorre. “A verdade produz consciência, aprendizado, conhecimento e respeito. A verdade significa a oportunidade de apaziguar cada indivíduo consigo mesmo e um povo com a sua história. A verdade é uma homenagem a um Brasil que já trilha três décadas de um caminho democrático. Tornar público este relatório nesta data é um tributo a todas as mulheres e homens do mundo que lutaram pela liberdade, pela democracia e, com essa luta, ajudaram a construir marcos civilizatórios e tornaram a humanidade melhor”, disse a presidenta, que durante o ato de entrega do relatório se emocionou e emocionou a nação. Dilma Rousseff destacou ainda que o trabalho feito pela comissão torna “nossa democracia ainda mais forte” e se comprometeu a “olhar as recomendações e propostas e tirar as consequências necessárias”.

O ato teve repercussão internacional, sendo saudado pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e chefes de Estado e governos.

O Relatório da Comissão Nacional da Verdade é uma vitória da luta democrática. Seu acolhimento pela Presidência da República e sequencialmente pelos outros Poderes é um reconhecimento pelo Estado dos crimes denunciados.

Entre os anos de 1964 e 1985, vigorou no Brasil um regime antipopular, antidemocrático e antinacional, cujo método de governo foi a guerra permanente contra o povo, um regime entreguista que se alinhou ao imperialismo norte-americano no contexto da chamada Guerra Fria. Nessa guerra, quadros destacados, civis e oficiais das Forças Armadas agiram como facínoras e cometeram crimes de lesa-humanidade.

O trabalho da Comissão Nacional da Verdade, refletindo um clamor nacional, sem qualquer espírito revanchista, mas de absoluta justiça, para ter consequência e representar efetivamente uma página virada na história, precisa ser completado com a punição aos que cometeram os crimes e com o pedido de desculpas formal das instituições que têm responsabilidade comprovada. Isto engrandeceria as Forças Armadas, hoje totalmente dedicadas ao cumprimento patriótico das suas funções constitucionais.

A consciência democrática se fortaleceria, o aprendizado das atuais e futuras gerações seria pleno. E a nação se sentiria forte em suas convicções e na proclamação de que tais fatos nunca mais se repitam para que o Brasil se encontre definitivamente com a sua vocação de nação democrática e civilizada.