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No nosso blog: Brasileiros, Norte Americanos, Portugueses, Canadenses, Russos, Ingleses, Italianos, Eslovenos, enfim, todos que gostam da cultura Brasileira e que tem nos acompanhado.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Aulas de sonoridade e brasilidade

Yassir (Chediak) é um carioca apaixonado por viola, aquela que é conhecida no Brasil inteiro como viola caipira, mas que também é a viola brasileira do litoral e de todas as regiões do país. Com influências mineiras, nordestinas e cariocas, ele faz um trabalho diferenciado e elogiado por mestres da viola, como Chico Lobo. Um brasileiro com muita disposição para o trabalho, ele criou três sítios de divulgação do seu trabalho e outros artistas na Internet, onde aparece até uma web rádio tocando as músicas que não tem espaço nas rádios normais.

Ele gosta de explicar que o nome 'viola caipira', na verdade ficou substituindo a 'viola' propriamente dita. O instrumento viola é caipira  — presente no país inteiro, representando a cultura de cada região de forma diferente  —, mas é a mesma viola. Por exemplo, a viola do Nordeste não se chama sertaneja; a do sul, viola de fandangos; a do Rio de Janeiro, viola caiçara, por ser litoral. E a cultura do litoral é a conhecida com cultura caiçara. No entanto, é o mesmo instrumento, a mesma sonoridade.
— A princípio, era somente viola. Com o passar dos séculos recebeu esse nome de caipira, por ter conseguido lugar para sobreviver no interior. A viola veio para o Brasil na época da colonização portuguesa, quando ainda era uma viola de arame, e foi se modernizando até chegar na que conhecemos hoje. Os jesuítas a trouxeram para poder catequizar os índios, já que através da música era muito mais fácil fazer isso. Dessa forma foi surgindo a música brasileira. O próprio samba começou assim. O samba de roda era tocado na viola. O samba do recôncavo baiano ainda é na viola — diz.
E vai se aprofundando:
— A viola se tornou uma unanimidade nacional, mas quando chegou o violão, no final do século dezenove, ou melhor, chegou a guitarra, os portugueses olharam e disseram: 'ora pois, que viola grande, está a parecer um violão!' (risos) Por isso se tornou o violão, querendo dizer, uma viola grande. Tanto que só no Brasil e em Portugal o violão tem esse nome, no resto do mundo é guitarra — continua.
E a lição prossegue:
— Com a chegada do violão, a viola que estava no Rio, no litoral, ela foi sumindo, porque junto com o violão chegou o método, do século dezenove, para aprender a tocar. Isso fez com que as pessoas começassem a preferir o violão, já que, com o método, acabavam aprendendo mais rápido. E como essas novidades todas vinham somente de navio e elas não chegavam no interior, a viola ficou por lá, guardada, preservada, e nas capitais como o Rio de Janeiro, ela foi se diluindo — acrescenta.
Yassir conta que em pesquisas que fez sobre viola no Rio, descobriu um quadro chamadoVioleiro na Lagoa do Boqueirão, que retrata um desses violeiros tocando no local que hoje estão os Arcos da Lapa, mostrando que tinham muitos violeiros cariocas. Ali era uma grande lagoa que, com o crescimento da cidade, foi aterrada e desapareceu.
Eu tento fazer com que as pessoas possam observar que os regionalismos são muito bonitos
— Encontrei também, nos arquivos da polícia, um processo contra um violeiro que foi preso e acusado de 'serenata'. A viola era muito presente por aqui. Mas é claro, tenho o maior orgulho de falar que toco viola caipira, até porque todos nós somos um pouco caipira. É a verdadeira essência da humanidade. O homem está ligado a terra, tem como referência a natureza, e isso é um caipira. Apesar de hoje ele estar perdendo essa referência, quando nem pára mais a olhar o céu, e ver se a lua está cheia ou não. Com isso, perdendo a contemplação, que acredito ser a essência do caipira. E como toco a viola, eu contemplo tocando — comenta.
— Sou carioca, com fortes raízes mineiras e também nordestinas. Meu pai é mineiro, e atualmente mora em Minas. Minha mãe é carioca, mas tem raízes nordestinas, e cresci com essas influências. Meu pai ouvia muita música mineira, e músicas eruditas bem tradicionais, óperas. Já minha mãe gostava de ouvir canções folclóricas nordestinas, e música eruditas mais modernas, contemporâneas, como Carmina Burana e Villa Lobos — diz Yassir, que é descendente de libaneses.

VIOLEIRO NA ESSÊNCIA

Yassir é filho do cineasta Braz Chediak, que fez na década de 60 e 70, filmes comoNavalha na Carne e da documentarista e atriz Leilane Fernandes, autora de um importante documentário, Jacob e Seus Bandolins, sobre a vida de Jacob do Bandolim, onde aparece a única imagem gravada do bandolinista.
— Na adolescência fui morar em Minas, depois voltei para o Rio e já tocava violão. Esqueci por um tempo tudo que eu tinha vivido. Claro, ficava dentro de mim. Um dia eu estava com um LP de viola que achei no meio de uns discos em minha casa, e resolvi ouvir. Foi quando despertei para o que eu estava procurando em matéria de som. No mesmo dia comprei uma viola e comecei a desenvolver as composições no meu estilo — fala.
E o encanto da sonoridade brasileira foi tomando conta de Yassir:
— Meu primeiro mestre de viola foi o João Viola, de Três Corações — MG. Ele me ensinou a tocar as músicas tradicionais na viola caipira, como Tonico e Tinoco, que eu aprecio muito. Eu gosto da música brasileira, todos os segmentos. Escuto muita música gaúcha, muita música caipira, samba, música pantaneira, enfim, é lindo ouvir a sonoridade brasileira — conta.
Quem ouve as suas músicas percebe que é um estilo que funde a música litorânea com a caipira e a nordestina:
— O samba é uma música do mar, é do Rio de Janeiro. Nas minhas composições aparece o samba mais tradicional, sendo que neste caso não é exatamente samba, é música do mar, que seria a viola caiçara. Eu digo que a minha música é uma música muito brasileira, fusão de três vertentes. Por isso não posso precisar, para quem pergunta, se meu estilo é mais carioca, mais mineiro ou mais nordestino, porque ele varia nessas três vertentes. Pode-se dizer que a minha música é uma música brasileira, ela abraça o Brasil — afirma.
Ele criou um estilo diferenciado, uma música nova, mas que segundo explica, já existia no Brasil de muitos séculos atrás, e que está voltando, com o seu trabalho e de tantos violeiros.
— Às vezes eu pego uma melodia, que é uma canção de praia, e toco na viola. E ela fica parecendo uma música dentro da linha Dorival Caymi, digamos, porém Dorival não utilizava a viola. E como eu utilizo, e ela por si só tem uma sonoridade mineira, acaba criando algo diferenciado, que desperta curiosidade nas pessoas de querer saber que som é esse. Digamos que é um som ancestral que o Brasil fazia e que com o tempo foi se perdendo. Agora começa a voltar, principalmente com a linha de violeiros novos em todo o país — declara.
Yassir é letrista e compositor, e faz músicas também com parcerias. Ele cita duas parcerias que fez com Jorge Mautner: uma para o seu primeiro CD, chamada Estrada, que deu nome ao disco, e outra para o seu futuro CD, chamada Leva eu Morena.
— Esse título (Leva eu Morena) está ligado ao folclore brasileiro. Se analisarmos a música brasileira, vemos que compositores importantes são muito ligados ao folclore. De Chico Buarque ao Toninho Horta, todos se utilizam de células folclóricas, das células das músicas tradicionais brasileira. Ouvimos Chico Buarque cantando 'Meu caro amigo' e vemos que se trata de um choro, que é algo muito tradicional. E a música precisa disso — nota.
Os bons compositores estão irremediavelmente ligados à tradição nacional da música popular:
— Em outro momento, podemos dizer que Chico é um compositor de modinhas imperiais também, quando se escuta Gente Humilde, por exemplo, e se a compara a uma música do século 18, 19. Nota-se que a música está nesse universo, das modinhas. E assim, muitos outros compositores. São células folclóricas — acrescenta Yassir.

... DE TODAS AS REGIÕES

Muitas pessoas perguntam para Yassir se ele é caipira, porque toca a viola que todos conhecem somente como caipira, e ao mesmo tempo é carioca e mora no Rio de Janeiro. Ele não demora em responder:
— Sou um brasileiro somente. Tem dia que eu acordo mais paulista, outros eu acordo pantaneiro, amazonense, etc, e isso reflete nas minhas composições também. Tenho composições com uma pegada completamente nordestina, outras mineiras, outras cariocas. Então eu digo que toco a viola brasileira. Ela está no Rio Grande do Sul, na viola Fandangos, em Minas; no pantanal; no Nordeste; no Recôncavo Baiano, em toda a parte que aparecem manifestações de música. Então pego um pontinho de cada um, jogo dentro da minha vida e faço as minhas composições. Resultado: uma viola totalmente brasileira — declara.
É bom ouvir os nossos, a nossa gente verdadeira. Mesmo quando se trata de um típico regional, essa expressão e a do nosso povo inteiro. Assim, insiste o compositor:
— Acho que com o meu trabalho, eu tento fazer com que as pessoas possam observar que os regionalismos são muito bonitos. É tão bom ouvirmos Alceu Valença cantando o nordeste, e Chico Lobo cantando Minas Gerais, ou o gaúcho Renato Borgheti. Também é maravilhoso podermos ouvir o samba paulista do Adoniran Barbosa e o carioca de Cartola. Eu admiro essa confluência, esses elementos brasileiros — continua.
O primeiro CD de Yassir está esgotado, devido a muita persistência, muito trabalho para encontrar um espaço nos meios de comunicação, que não o oferecem para a autêntica música popular brasileira. Ele conseguiu, depois de muita insistência, que uma de suas músicas, Estradas, entrasse na trilha de um seriado da televisão, sobre caminhoneiros.
— Essa música tem uma pegada mais caipira. O Brasil é um país de muitos caminhoneiros. Então, a música conta a vida de um caminhoneiro que corta o país, enquanto sua viola fica deitada no banco gelado do caminhão. Diz: 'e a viola vem sofrendo o castigo, igual a você amada eu digo, sem o toque da minha mão', comparando a viola com uma mulher. Porque a viola é um instrumento muito místico, tem muitas lendas que a acompanham, no Brasil inteiro. Violeiros de todo o país contam seus causos, de acordo com a sua vivência e folclore da região — comenta.
Além da música na televisão, Yassir criou três sítios na Internet, para poder divulgar sua viola e a música de outros artistas também.
— Criei o violacaipira.com.br, que é um grande sítio sobre viola caipira, exclusivo de cultura regional brasileira. Virou um dos sítios mais visitados do país. A Internet é hoje é um meio de comunicação muito forte. Todos dias, centenas de pessoas entram e acessam esse sítio. São pessoas que querem conhecer o trabalho, e então se encantam. Lá dentro criamos também uma rádio para que as pessoas possam escutar as minhas músicas e de todos que estão vinculados ao sítio. E quando elas escutam, logo querem comprar. Dessa forma esgotou o meu primeiro CD — conta.

NAVEGAR É PRECISO

— Com o sucesso do violacaipira, criei outro sitio, o brasilpandeiro.com.br, que virou outra referência musical para a música popular brasileira. É um sítio basicamente de MPB. Dentro dele tem uma web rádio de música popular brasileira cantada, e também a primeira web rádio de música instrumental brasileira. Acredito que a música instrumental precisa de espaço de divulgação, e isso ela encontrou lá — acrescenta.
Yassir diz que esse sítio é igualmente muito visitado, e que após conhecer o trabalho dos artistas que nele expõem, as pessoas ficam mandando e-mails para comprar os CDs. De tanta insistência, ele e seus amigos criaram outro sítio, o www.lojampb.com.br, que vende os CDs e livros. E toda essa divulgação fez com que Yassir fosse chamado para participar de alguns programas de entrevistas na televisão, aproveitando para divulgar a música cultural popular brasileira.
Além dos CDs e dos shows, Yassir viaja uma vez por mês para São Pedro do Itabapuana, ES, onde trabalha em um projeto que leva música e teatro para crianças, que normalmente não têm acesso à arte mais refinada.
— São Pedro do Itabapuana é uma cidade histórica, só de casinhas coloniais, esquecida ali no tempo, com 600 habitantes. A cidade é distrito de Mimoso do Sul, a região do Espírito Santo que mais tem casarões coloniais. A prefeitura local criou um projeto chamado Orquestra Sanfona e Viola de Mimoso, e eu vou até lá para dar aulas para as crianças. Minha intenção com esse trabalho é fazer o que posso em contribuição para a cultura no país. Creio que existe um 'caldeirão' de criatividade pelo Brasil, que não está sendo utilizado — fala.
E conclui criticando os que só sabem conversar, elaborar promessas, viajar e fazer reuniões:
— Acredito que as pessoas precisam parar de falar e começar a fazer. Esquecer as burocracias e ir à luta. É uma questão de vontade, de não ficar contando com a 'paternidade' do poder público, que não existe, mas de arregaçar as mangas e lutar em favor da cultura no país. É preciso socializar. Se cada um fizer algo pela cultura, haverá mudança. O país é nosso, a gente tem que ficar de olho — finaliza Yassir.

Viola: instrumento de expressão

Violeiro, cantador e compositor oriundo de Salinas, no Vale do Jequitinhonha, MG, Joaci Ornelas usa a viola para trabalhar várias linguagens musicais, sempre cantando sua "aldeia" e a impressão do mundo a sua volta. Integrante do grupo Viva Viola e prestes a lançar seu segundo disco solo, Joaci também prepara um trabalho dedicado ao mundo das crianças.

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— As primeiras informações musicais, culturais, que tive foi no Vale através das folias, cantigas de roda, batuques, festas populares que ainda são muito frequentes no norte e nordeste de Minas. Mas naquela época de infância não existia toda essa tecnologia que tem hoje nas casas, então as pessoas tinham mais tempo e interesse em se relacionar — recorda Joaci.
— Mudamos para Belo Horizonte e fui estudar teoria musical, violão, canto. Ouvia de tudo, principalmente o pessoal do Clube da Esquina, e as coisas foram acontecendo. Conheci os violeiros Pereira da Viola e Renato Andrade e consequentemente tive um contato mais direto com a viola caipira, de 10 cordas — continua.
A viola fez todo um sentido para ele, conforme diz, porque o remeteu as suas primeiras informações musicais.
— A construção do meu trabalho a partir da viola foi algo razoavelmente natural, e hoje está ligada a ele de forma essencial. Eu já fazia música, tinha uma certa carreira com toda essa riqueza da cultura popular, e redescobri-la foi parte desse caminho — explica Joaci.
— Utilizo a viola como um instrumento ligado ao meu processo de arte, de músico, consequentemente também de vida. Me possibilita fazer uma sonoridade em qualquer estilo, inclusive a própria música caipira. Digo que nunca fui um violeiro caipira, porém, nunca deixei de ser, porque se uma pessoa ouvir minhas músicas sentirá que isso está no processo de formação — diz.
Compositor de letra e música, Joaci cria de acordo com sua vivência e impressão do mundo.
— Uma pessoa traz com muita propriedade para sua música aquilo que ela vive, a sua realidade, e também uma universalidade, porque tem duas formas de ver o mundo: a partir da sua aldeia e com uma visão mais ampla. Dessa forma ela traz o tema que vive. No meu caso tudo que faço está ligado à cultura popular, porém, são temas diversos — declara.
— Em 2006 gravei meu primeiro disco, Andejo, reunindo um pouco de Guimarães Rosa, viola, tambores, congadeiros, foliões, cantadores de pé de serra, e tudo o mais da minha memória ligada ao São Francisco, ao Vale do Jequitinhonha — conta.
— A viola aparece como instrumento principal, mas também tem lugar para o violoncelo, piano, percussão, violão, inclusive muito presente no CD. Optei por fazer todos os arranjos para poder criar uma linguagem própria, com mais significado dentro do que faço — continua.

PROJETOS DE VIOLA

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Além do trabalho solo, há cerca de quatro anos, Joaci e alguns companheiros criaram o projeto Viva Viola.
— É um grupo de violeiros daqui de Belo Horizonte: Pereira da Viola, Chico Lobo, Bilora, Wilson Dias, Gustavo Guimarães e eu. Com algumas parcerias com o jornalista e escritor João Evangelista, criamos esse movimento de músicas e ações, no sentido da valorização e difusão da música de viola. Trabalhamos toadas, modas de viola, calangos, batuques etc — conta.
— Gravamos nosso primeiro disco em 2008 e agora em 2013 já saímos com o segundo, ambos feitos se utilizando apenas do instrumento viola, mas, dentro de um universo musical extremamente amplo, contendo inclusive a própria música caipira. Quer dizer, várias formas de se expressar através da música, usando a viola para isso — explica.
— E o Viva Viola tem projetos para fazer um trabalho de continuidade das ações socioculturais, indo para as comunidades rurais levando oficinas, vídeos e uma série de coisas ligadas à viola e à cultura popular. Isso cria uma possibilidade de troca, de uma convivência entre músicos de várias partes em um mesmo ambiente musical — defende.
Um outro trabalho de Joaci é o projeto de um disco feito por crianças e para crianças.
— Trabalhei muito tempo com arte-educação e musicalização infanto-juvenil. A ideia desse CD é gravar com crianças de diversas situações e regiões, dentro de movimentos sociais, assentamentos, centros culturais de periferia, comunidades rurais, e outras lugares que forem surgindo — fala.
— Vou compor o disco com essas crianças, fazendo músicas que estejam dentro do seu universo, que se encaixe no seu mundo infantil, respeitando a sua sensibilidade, e não uma coisa perversa, de adultos, passada para o mundo das crianças. Isso é o que a indústria cultural tem feito hoje em dia, não respeitando a criança em sua essência — expõe.
— O disco já começou a ser feito e deve sair no próximo ano. Paralelo, estou terminando meu segundo disco solo, No dizer do sertão. É um mergulho mais profundo nas minhas vivências e paisagens sertanejas, e consequentemente, dentro da obra do Guimarães Rosa, que tem a ver com tudo isso. Esse está previsto para sair agora em dezembro — conclui Joaci Ornelas.
joaciornelas@ig.com.br  (31) 9744-7122 são os contatos do artista.

México quer proteção especial da Unesco para sítios arqueológicos

O México solicitará à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a inscrição de nove sítios arqueológicos do país como bens culturais sob proteção especial, segundo informações do site da presidência. 


Reuters
México quer proteção especial da Unesco para sítio arqueológico
Yucatán, no México, deve receber proteção especial da Unesco.
O governo anunciou que pedirá a inclusão dos sítios no Registro Internacional de Bens Culturais sob Proteção Especial da Unesco, com o objetivo de que recebam dupla proteção, pois já possuem a categoria de Patrimônio Mundial.

Os parques arqueológicos que serão incluídos na solicitação são: Palenque, em Chiapas; Teotihuacan, no Estado do México; Monte Albán, em Oaxaca; El Tajín, em Veracruz; Paquimé, em Chihuahua; Xochicalco, em Morelos; Calakmul, em Campeche; assim como Chichén Itzá e Uxmal, ambos em Yucatán.

O artigo oitavo da Convenção de Haia de 1954 confere aos Estados a prerrogativa de colocar sob regime de proteção especial um número limitado de centros monumentais de importância extraordinária mediante sua inscrição no registro.

A Secretaria de Relações Exteriores e o Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah) concluirão em breve o processo requerido para apresentar tal solicitação à Unesco.

Da redação do Vermelho, 
Com informações da Prensa Latina

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

UJS inaugura o Cortiço de portas abertas para a cultura

Foi em um clima regado a samba e alegria que o novo centro cultural da União da Juventude Socialista (UJS) abriu as portas na última sexta-feira (25). O novo espaço batizado de Cortiço, localizado na Rua Taguá, no tradicional e querido bairro da liberdade. Iniciando com o pé direito, o projeto de samba “Senhora Liberdade”, nesta edição com Paulinho Timor e Trio Gato Com Fome, além do convidado especial Eduardo Gallotti, foi quem deu o tom da inauguração.


Inspirado no livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo, a obra é um renascimento naturalista do surgimento das favelas do Rio de Janeiro, uma representação do povo mais humilde e castigado pela pobreza do nosso país, que busca, através de sua música e capoeira, expressar a batalha do dia a dia para uma vida melhor.

A obra do autor maranhense é a maior inspiração do espaço, que contará com uma agenda cheia de atividades durante semana: cinema, literatura, gastronomia e muita música. “Hoje damos um grande passo. A UJS lança o Cortiço para defesa da cultura brasileira e espero que possamos multiplicar essa ideia para o resto do país”, comemora Edilson Cavalcante, diretor de Formação da UJS.

Muita coisa bacana promete rolar nesse mais novo espaço. Sábado será dia das comidas típicas brasileiras que trará os mais variados sabores e temperos de todo o país. Toda sexta teremos roda de samba, cada semana com um grupo diferente. Nas quintas-feiras a vez é do forró, intercalado com um projeto super democrático de discotecagem: “bota o seu que eu boto o meu”, onde a galera poderá colocar seu som pra rolar e também ouvir as músicas preferidas das outras pessoas. E claro, uma das maiores paixões brasileiras não poderia ficar de fora, por isso as quartas serão dedicadas aos jogos de futebol. Para fechar a semana: cinema, sarau e os debates, “Trocando em Miúdos”, organizados pela UJS, finalizam a programação semanal do Cortiço.

Para o vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, a UJS marcou um “gol de placa” inaugurando o Cortiço no bairro da Liberdade. “Aqui no entorno do novo centro cultural, existe uma grande concentração universitária e funcionará como um espaço alternativo. Sem dúvida nenhuma o espaço irá cumprir dois grandes objetivos: difundir ainda mais a UJS e criar uma opção para os milhares de estudantes da região”, avalia.

“Nesse primeiro dia já conseguimos sentir como será a identidade do lugar. Um espaço que agrega diferentes públicos: alunos, militantes, os jovens da periferia e a galera da região central da cidade. Publico de todas as idades, regiões e classes sociais serão bem vindos no Cortiço, finaliza Vanessa Stropp, coordenadora do projeto.

Fonte: UJS

SOS Cultura: A cultura pede socorro!

Em vídeo, Andre Andion Angulo, presidente da Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro de Museus (Asbram) e Paula Nogueira, presidente da Associação dos Servidores da Funarte (Asserte) denunciam as degradantes condições de funcionamento e conservação de museus e outras instituições culturais brasileiras como a Fundação Biblioteca Nacional.  



As entidades convidam a todos para um Ato em defesa da Cultura e de seus servidores, que marca o aniversário de 203 anos da Biblioteca Nacional, no dia 29 de outubro, terça-feira próxima. As atividades ocorrerão a partir da 14h, na escadaria principal da Biblioteca, na Avenida Rio Branco, s/n, na cidade do Rio de Janeiro. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ancine lança programa de apoio aos produtores brasileiros

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) lançou nesta segunda-feira (7) o Programa de Apoio à Participação de Produtores Brasileiros de Audiovisual em Rodadas de Negócios e Eventos de Mercado. Por meio da nova iniciativa de promoção do audiovisual brasileiro no cenário internacional, os produtores poderão pleitear auxílio financeiro para participar de cinco eventos no exterior programados até dezembro.


Escolhidos pela Ancine pela importância estratégica, os eventos são: American Film Market, em Los Angeles (Estados Unidos), de 6 a 13 de novembro; Discop Africa, em Joanesburgo (África do Sul), de 6 a 8 de novembro; Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA), de 20 de novembro a 1º de dezembro; Ventana Sur, em Buenos Aires (Argentina); e Asian TV Forum & Market, em Cingapura. Esses dois últimos estão marcados para o período de 3 a 6 de dezembro.

De acordo com o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, a expectativa do órgão é que haja uma presença cada vez mais frequente de produtores brasileiros nesses eventos, como forma de auxiliar a maior inserção de obras no mercado internacional. “Os fóruns de negócios são espaços que, ao reunir parceiros de todas as partes do mundo, permitem um melhor entendimento das estratégias e ações necessárias para uma empresa reforçar sua presença”, disse Rangel.

Segundo a Ancine, o apoio financeiro varia de R$ 1,2 mil a R$ 5,4 mil e deve ser gasto, prioritariamente, com a compra de passagens aéreas. Poderão requerer o apoio representantes de produtoras brasileiras independentes registradas na Ancine que tenham ao menos um Certificado de Produto Brasileiro (CPB) de obra emitido no prazo de 18 meses anterior ao evento pretendido e um Sistema de Acompanhamento de Leis de Incentivo à Cultura (Salic) de projeto em processo de realização no momento do pedido.

As solicitações devem ser enviadas para o e-mail programa.mercados@ancine.gov.br.

Fonte: Agência Brasil

Aldo Rebelo: Que bonito é

 Nenhum outro país associou a música ao esporte como o Brasil – sobretudo se o esporte é o futebol, que, junto com o samba, constituem elementos da identidade nacional. Desde que Pixinguinha compôs 1 x 0 para comemorar a vitória do Brasil sobre o Uruguai no Campeonato Sul-Americano de 1919, a música popular brasileira entrou em campo com sucessos que se imortalizam na boca do povo. 


Por Aldo Rebelo*


 O Governo Federal está relembrando para a Copa de 2014 um desses símbolos musicais, Na Cadência do Samba, de Luís Bandeira, de 1956, que ficou mais conhecido como Que Bonito É ao virar trilha sonora das cenas de futebol do cinejornal Canal 100.

Vários gênios da música se aventuraram pelos acordes da Seleção, a exemplo de Lamartine Babo (Hino do Escrete Brasileiro, 1950), Ari Barroso (O Brasil Há de Ganhar, 1950), Gilberto Gil (Balé de Bola, 1998) mas os gols do sucesso musical foram de Luís Bandeira, do quarteto Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô (A Taça do Mundo é Nossa, 1958) e de Miguel Gustavo (Pra Frente Brasil, 1970). Em qualquer lista não pode faltar o coco 1 x 1, de Jackson do Pandeiro, em parceria com Edgar Ferreira, gravado em 1954. O paraibano Jackson foi um dos artistas da MPB, como compositor ou cantor, que mais homenageou o futebol.

O samba do pernambucano Luís Bandeira, tocado até na Academia Brasileira de Letras como trilha do vídeo do seminário Futebol e Literatura, tem o mérito de estabelecer uma relação automática entre o som e a ginga, ou seja, quem ouve não fica parado, ao menos tamborila. 

Curioso é que a letra original não menciona o futebol – só fala de samba, e isso não se poderia notar na versão mais tocada, só com instrumentos pela orquestra de Valdir Calmon. Mais tarde foram introduzidos na primeira estrofe os versos “Que bonito é / As bandeiras tremulando / A torcida delirando / Vendo a rede balançar”.

Que bonito será como trilha musical do hexacampeonato...

*É Ministro do Esporte