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domingo, 22 de dezembro de 2013

Cidade de São Paulo vai ganhar 85 pontos de Cultura

A capital paulista vai ganhar 85 pontos de Cultura, que serão espalhados em diversos pontos da cidade. O Ministério da Cultura estima que cerca de 4,5 mil pessoas sejam beneficiadas diretamente com a iniciativa e que mais 200 mil recebam os benefícios de forma indireta. 


 
 Lancamento edital Pontos de Cultura
Os pontos de Cultura foram lançados dia 16 de dezembro, na Praça das Artes, pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, e pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

“São Paulo não tinha pontos de Cultura bancados pelo município. Os únicos que existiam eram de um convênio do governo estadual com o Ministério da Cultura”, disse o prefeito.

Segundo o secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, o convênio entre a prefeitura e o ministério para a implantação dos 85 pontos de Cultura dispõe de R$ 15,350 milhões em recursos previstos até 2014. Deste total, R$ 9,350 milhões são provenientes da prefeitura e o restante, R$ 6 milhões, do Ministério da Cultura. Ferreira disse que a meta é chegar ao fim da atual administração com mais de 350 pontos de Cultura na cidade.

O edital sobre os pontos de Cultura deverá ser publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo de amanhã (17) até 15 de janeiro, para consulta. As organizações que pretendam participar do edital devem se inscrever de 16 de janeiro a 14 de fevereiro do próximo ano. As entidades precisam ter sede na cidade há pelo menos três anos.

Cada ponto de cultura de São Paulo receberá R$ 160 mil para desenvolver atividades culturais durante dois anos. “A ideia é fomentar o conjunto de pontos já existentes e implementar novos pontos, considerando também os municípios menores. No estado de São Paulo, já temos 705 pontos [instalados] em 185 municípios”, destacou Marta Suplicy.

Enquanto eram lançados os pontos de Cultura, em solenidade dentro de uma sala na Praça das Artes, do lado de fora, algumas dezenas de manifestantes do Movimento dos Sem Teto do Sacomã (MSTS) fizeram um protesto, segurando faixas com pedidos de moradia. Em uma das faixas, havia uma mensagem dirigida ao prefeito: “Somos 357 famílias e estamos sendo humilhados. Você [Haddad] não tem alma, você não tem dor, você não tem sentimento? Onde estão os direitos humanos?”

As famílias que protestavam são ocupantes do Cine Marrocos, no centro da capital desde o início de novembro. Domingo (15), em protesto pelo corte de energia elétrica no prédio ocupado, centenas dessas famílias montaram barracas no Viaduto da Chá, próximo à sede da prefeitura paulistana.

Na saída do evento, o prefeito falou brevemente com os jornalistas sobre o protesto, que foi pacífico. “[O Cine Marrocos] é um prédio que está em risco. As instalações elétricas e hidráulicas estão completamente comprometidas. E é um prédio que precisa de reforma. Isso já foi dito inúmeras vezes. As pessoas estão correndo risco ali”, ressaltou Haddad.

Fonte: Agência Brasil

A via-sacra de Portinari. Sua obra ganhará a merecida restauração

Em 2012 e 2013, as pessoas formaram filas para ver Guerra e Paz, de Candido Portinari. Era uma rara chance de admirar os painéis pintados de 1952 a 1956 para presentear a Organização das Nações Unidas. Os quadros de 14 metros de largura por 10 de altura saíram de Nova York para uma exposição por algumas cidades brasileiras. Passariam também por Paris antes de voltar à sede da ONU.


Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual


 
Via sacra
Quando começou a planejar aquela que se tornaria a sua obra mais famosa, o artista plástico tinha outro projeto em execução, perto de sua cidade natal, Brodowski, no interior paulista. É um conjunto de obras sacras expostas na Igreja Matriz de Batatais (a quase 400 quilômetros de São Paulo), que a partir deste dezembro, após anos de indefinição e pendências legais, passará por um processo de restauração, até o final de 2014.

Será um trabalho diferente do habitual, pois o ateliê é que terá de ir às obras, como observa a restauradora Florence Maria White de Vera, responsável pela recuperação das telas. “A nossa preocupação é que as obras estão em um espaço público. Elas nunca saíram e não podem sair da igreja, por exigência do termo de doação. É uma coleção importantíssima.”

São 28 telas de Portinari, 14 destinadas à via-sacra de Jesus, tombadas em 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (Condephaat), que informa ter feito uma restauração em 1975.

“Apresentação de Cristo a Pilatos, o impacto do peso da cruz, o ponto mais elevado do sofrimento, o fim da esperança, luz para a vida, luz para o mundo, vida material para a espiritual...”, enumera Antonio Otávio Squarisi, que há 35 anos trabalha como guia na igreja, por onde passam 3.500 visitantes por mês. Estão lá também obras como a Sagrada Família (“José olha para Maria, Maria olha para o infinito e o menino Jesus olha para todos”) e Fuga para o Egito, “obra pintada em um momento de angústia”.

Sobre o altar principal fica a tela que mostra Jesus e os apóstolos. “À esquerda (de Cristo), os seis menos amigos, com cores mortas, fisionomias amedrontadas. À direita, os seis mais amigos, o colorido é maior, há mais vida”, narra Squarisi, que era soldado da Polícia Militar antes de virar guia. “Comecei a ler todos os livros.” Na parte de baixo da tela, dois ­arcanjos, um com aparência masculina e outro, feminina. Acima, uma pomba e um arco-íris, representando o Espírito Santo.

Justiça
No plano terreno, as obras do mais conhecido artista plástico brasileiro foram objeto de uma contenda judicial. Com algumas telas mostrando sinais de desgaste, ficou clara a necessidade de um processo de restauração. Mas nem todas eram tombadas, o que retardou o projeto. O Ministério Público Federal em Ribeirão Preto impetrou uma ação civil pública, acolhida parcialmente pela Justiça, para que a União, o estado de São Paulo, a prefeitura de Batatais e a Igreja Senhor Bom Jesus da Cana Verde comprovassem a contratação de uma empresa especializada para fazer a restauração.

“Estamos há mais de um ano fazendo reuniões, acionando o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Nunca houve uma restauração. A própria igreja tem de mudar sua estrutura. É uma pena ter de existir um caso como esse”, afirma o procurador da República Uendel Domingos Ugatti, que viu na situação um jogo de empurra. “Parece que houve uma omissão dos entes públicos”, diz.

“O município tem toda a noção do que essas obras representam”, reage o secretário de Turismo de Batatais, Antonio Carlos Corrêa. “Tivemos de aguardar todo o trâmite”, acrescenta. Segundo ele, todas as providências vêm sendo tomadas desde 2009, quando era evidente a necessidade de restauração das obras. O secretário diz que as principais dificuldades estavam relacionadas ao processo de tombamento e a condições impostas pelo Iphan, como a retirada de telas de outros artistas, também expostas na igreja. “Agora, já estamos com o dinheiro na conta.”

A prefeitura informa que a Secretaria de Estado da Cultura liberou R$ 355 mil para o trabalho. Segundo o secretário, recursos do Fundo de Melhoria das Estâncias só poderiam ser usados para obras de infraestrutura. “É importante citar que as obras estão sob guarda e propriedade da Cúria, impossibilitando o repasse de recursos públicos. Para tanto, foi necessário que a Igreja solicitasse o tombamento das demais obras ao Condephaat.” Batatais é uma das 67 cidades-estância no estado – que recebem verbas do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade), vinculado à Secretaria de Turismo.

Neto de um dos marmoristas que trabalharam na Matriz, o advogado Túlio Pires de Carvalho, representante da igreja, conta que com as suspeitas de danos nas telas o padre Pedro Bartolomeu, pároco local, notificou os órgãos públicos. “Na minha opinião, a Igreja é vítima. Vamos dar entrada no Condephaat para que a própria igreja seja tombada também.” Ele acredita que a restauração pode ser a primeira fase de um projeto mais amplo, que inclua um documentário para registro histórico e uma nova organização para receber os visitantes.

Com 60 mil habitantes, Batatais fica a apenas 12 quilômetros de Brodowski (23 mil), onde nasceu Portinari, em dezembro de 1903. Ele foi batizado exatamente na Igreja Matriz do Bom Jesus da Cana Verde, que leva esse nome em referência a um momento narrado pelo Evangelho em que soldados tentam ridicularizar Cristo, colocando um pedaço de cana em suas mãos, como se fosse um cetro. A atual igreja acaba de completar 60 anos (a original é do século 19). Começou a ser construída em 1928, com projeto do arquiteto italiano Julio Latini. Posteriormente, a obra ficou sob o comando do também italiano Carlos Zamboni, natural de Brescia – em cuja catedral se inspirou.

Os vitrais têm a marca da Casa Conrado, pioneira nesse ramo no Brasil, fundada em 1889. A história do ateliê começa em 1874, com a chegada do alemão Conrado Sorgenicht, e continua com os descendentes. A casa também assina obras em marcos da cidade de São Paulo, como o Mercado Municipal, o Teatro Municipal, a Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, e a Casa das Rosas, na Avenida Paulista.

A inauguração da Igreja Matriz, em 14 de março de 1953, foi precedida de alguma polêmica – as autoridades religiosas resistiram à escolha de Candido Portinari, que era filiado ao Partido Comunista e havia sido candidato ao Senado em 1947, pouco antes da cassação da legenda.

Liberdade
“Como sempre, fiz o melhor que pude. Mas quem vai julgar é o público”, declarou o artista ao jornal Folha da Noite. “Não fiz concessões nem de ordem política, nem de ordem artística. Não houve, pois, como querem alguns críticos, recuo de nenhuma natureza. Trabalhei com absoluta liberdade na realização dos quadros. Aliás, devo assinalar que a Comissão das Obras da Matriz, que me havia convidado para decorar a igreja, resistiu bravamente a todas as tentativas de perturbar essa liberdade e garantiu o compromisso que assumira comigo nesse sentido.”

O guia Squarisi conta que “as senhoras capitalistas” conseguiram vetar a instalação de algumas obras no local. Quem eram elas? As esposas dos fazendeiros do café, responde. Portinari nasceu em um cafezal. Seus pais, Baptista e Dominga Torquato, trabalhavam na terra, e um de seus quadros mais conhecidos, pintado nos anos 1930, é justamente O Lavrador de Café. “Num pé de café nasci,/ O trenzinho passava/ Por entre a plantação”, diz um dos poemas do escritor bissexto. Ele também falou dos retirantes, tema de obra conhecida, “pedregulhos doloridos como fagulhas de carvão aceso”.

Quase dez anos antes do trabalho em Batatais, entre 1944 e 1945, Portinari já havia pintado uma via-sacra, para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, obra de Oscar Niemeyer com jardins do paisagista ­Burle Marx. Encomenda do então prefeito Juscelino Kubitschek. Ali também houve polêmica com a igreja, entre outros motivos pelas figuras deformadas e pela presença de um cachorro no lugar do lobo junto a São Francisco. O culto na igreja foi proibido durante mais de uma década. “Naquelas figuras, houve maior preocupação do desenho. Nas telas de Batatais, há mais pinturas. É a predominância da cor”, comparou o artista.

A instalação das telas no altar principal e nas laterais da igreja de Batatais foi acompanhada pessoalmente por Portinari, que doou nove das obras – as outras foram doa­das por mecenas. Segundo o Condephaat, depois da morte do artista, em 1962, o altar foi reformado e as molduras originais, substituídas por um nicho em cimento e granito.

Os novos chassis, bases das telas, deverão ser de alumínio, possivelmente a exemplo do que já foi feito em restauração de obras de Portinari no Banco Central, em 2007 e 2008.

Aos 86 anos, o empresário batataense Nacime Mansur lembra de quando foi buscar as telas no Rio de Janeiro. Ele não conhecia Portinari – “sabia que era um grande pintor” –, mas, “abelhudo”, queria conhecer o Rio. Trabalhava no armazém de secos e molhados do pai, e hoje é dono de uma loja de materiais de construção. “O Candinho morava na Avenida Atlântica... A irmã dele entregou os quadros. Para diminuir a trepidação, compramos 50 quilos de farinha”, lembra Nacime, também escritor e contador de histórias. Naquela época, 1952, a viagem entre São Paulo e Rio levava aproximadamente 12 horas. “Candinho estava esperando (em Brodowski). Deixamos lá para ele fazer os últimos retoques. Ele me deu um moeda de mil réis.”

Fonte: Rede Brasil Atual

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

MinC e MEC criam o Programa Mais Cultura nas Universidades

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, assinaram nesta terça-feira (18) a portaria interministerial que institui o Programa Mais Cultura nas Universidades.
Durante a cerimônia, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, destacou que o programa ampliará oportunidade de ensino e profissional. "Com o Mais Cultura nas Universidades, os estudantes terão uma formação mais completa e poderão exercitar suas atividades profissionais com uma visão de mundo ampliada. É um programa que não temos dúvidas que será um sucesso". 
O programa, construído por meio de um Grupo de Trabalho Interministerial envolvendo o MinC e o MEC, visa ampliar o papel das universidades federais na difusão e preservação da cultura brasileira e na construção e implementação de nossas políticas culturais.
Entre os objetivos do ‘Mais Cultura nas Universidades', está a ampliação do uso das instituições de ensino público como um espaço de produção e circulação da cultura brasileira, de acesso aos bens culturais e de respeito à diversidade e pluralidade da cultura brasileira.
Por meio de editais, o Programa vai apoiar projetos que, entre outras coisas, estimulem o aproveitamento dos equipamentos culturais dessas instituições, tais como museus, cinemas, teatros.
Execução
A execução do programa se dará de um a dois anos, com investimentos iniciais na primeira etapa de R$20 milhões, podendo alcançar R$100 milhões. A primeira etapa será constituída por uma comissão técnica que receberá as propostas das universidades para a elaboração dos editais. 
O ministro da Educação, Aluizio Mercadante, salientou que o ‘Mais Cultura nas Universidades' dialogará com os cursos desenvolvidos nas instituições de ensino. "Vamos projetar o que as universidades trazem sem seu entorno para dialogar com as atividades culturais desenvolvidas dentro dos cursos". 
Para a diretora de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), Patrícia de Matos, a iniciativa é fundamental para o fortalecimento do circuito e das redes de produção artísticas nas universidades e também para estimular os alunos que já são artistas.
Também estavam presentes na cerimônia, o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Jesualdo Pereira,  reitores das Universidades Federais e representantes da UNE. 
Parcerias
O MinC celebrou, recentemente, também em parceria com o MEC,  o Programa Mais Cultura nas Escolas, que atua sobre o ensino básico em sua estratégia de colaborar para a integração das artes e da cultura às práticas pedagógicas, fortalecendo a educação integral e integradora do sujeito à sociedade. 
Texto: Layse Lacerda
Edição: Ascom/MinC

Marta Suplicy recebe grupo de maestros



A ministra da Cultura, Marta Suplicy, recebeu nesta quarta-feira (18) maestros brasileiros para discutir a implantação de um programa de música estruturante como o que já existe na Venezuela, desenvolvido pelo Sistema de Orquestras e Coros Juvenis daquele país, conhecido como El Sistema.
 
De acordo com a ministra Marta, a idéia do MinC é trabalhar a inclusão social por meio da música, com o objetivo de atender populações assistidas pelos CEUs (Centros de Artes e Esportes Unificados): "A ideia é criar aqui um programa estruturante, que deixe uma marca da música para o Brasil", disse a ministra.
 
Participaram da reunião com a ministra os maestros Amilson Godoy (São Paulo), Ricardo Castro (Salvador), Carlos Moreno (Santo André-SP), Arthur Barbosa (Fortaleza), Claudio Cohen (Brasília), Eliseu Ferreira (Goiânia), Carlos Lima (Mogi Mirim-SP), Roberto Duarte (Rio de Janeiro) e o produtor musical Lenir Boldrin (Instituto Novo Tempo-SP).
 
Durante o encontro, a ministra ressaltou a importância das diversidades que existem no Brasil, como o carnaval, o samba, a praia e o futebol: "Isso que a gente tem é um Soft Power, nós temos que ampliar e mostrar outras coisas".
 
Na reunião, ficou acertado que o MinC vai estudar o projeto da Venezuela. Além disso, a ministra designou Silvana Tamiazi, da Diretoria de Programas Especiais de Infraestrutura Cultural do Ministério, para acompanhar a implantação desse programa de política pública.
 
El Sistema
Os maestros e o produtor musical estiveram em Caracas, na Venezuela, em novembro. O grupo foi ao país vizinho para conhecer de perto o trabalho que é desenvolvido por lá com crianças e adolescentes.
 
O El Sistema existe há 38 anos. É um modelo didático musical, idealizado e criado por Jose Antonio Abreu. É um sistema de educação musical pública, com acesso gratuito e livre para crianças e jovens adultos de todas as camadas sociais. Hoje, são atendidas mais de 600 mil crianças e jovens. São 125 orquestras (sendo 30 orquestras sinfônicas) e coros juvenis, em 180 núcleos distribuídos por todo território venezuelano.
 
A meta do El Sistema é atingir 1 milhão de pessoas. Através dessa metodologia, os jovens encontram na música uma via de desenvolvimento intelectual e de promoção social. Para a ministra, a música é um instrumento de inclusão social fantástico. A ministra fez questão de dizer que mergulhou de corpo e alma nesse novo projeto: "Eles (os maestros) vestiram a camisa e eu também, então nós vamos fazer acontecer".
 
Texto: Bruno Amorim/Ascom
Foto: Elisabete Alves
Edição: Ascom/MinC
 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Encontro reúne no Ceará Tesouros Vivos da Cultura

 Começou nesta quarta-feira (18), no Crato (CE), o grande encontro dos Mestres da Cultura. Até o próximo sábado (21), a região do Cariri receberá os Tesouros Vivos da Cultura, reconhecidos pelo Governo do Estado do Ceará, e mestres provenientes de outros estados. Com o tema “Chão Sagrado do Belo Amor”, o 8º Encontro Mestres do Mundo, foi aberto com um seminário sobre patrimônio imaterial, as múltiplas leituras das brincadeiras populares e sobre as tradições como fonte geradora de renda.  


Também nesta quarta-feira, às 19h, na Arena da Tradição, no Largo da RFFSA, acontece a solenidade de abertura do Encontro, com a diplomação dos novos Mestres da Cultura, reconhecidos pelo Governo do Estado.

O tema “Chão Sagrado do Belo Amor” faz referência ao território como conceito integrador de lugares e afetos. Uma citação bem pertinente ao Crato e ao Cariri como um todo, espaço de revoluções e lendas, berço de grandes nomes da história brasileira e de grandes ideias. Tudo tendo como pano de fundo a Floresta Nacional do Araripe e a história de Nossa Senhora do Belo Amor.

“No Crato, o ancestral e o contemporâneo se entrelaçam, o que torna o ambiente propício para o entendimento da importância do conhecimento tradicional como estrutura fundante de uma nova sociabilidade”, destaca o coordenador do evento, o ator, produtor e pesquisador Fernando Piancó, integrante da equipe da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), promotoda do encontro.

“Serão três dias de intensa troca de saberes e fazeres e de diferentes visões e representações do mundo. A identidade e a diversidade cultural serão celebradas e exaltadas. Um território de encontros e acolhimento. O Chão Sagrado do Belo Amor!”, ressalta Glícia Gadelha, coordenadora de Ação Cultural da Secult e também integrante da equipe organizadora.

Já a secretária de Cultura do Crato, Dane de Jade, destaca a satisfação do Cariri em sediar o Encontro Mestres do Mundo. “Pela segunda vez o Encontro Mestres do Mundo acontece no Cariri, o que é importante, pela dimensão desse encontro, que já é esperado todos os anos pelos mestres. O Crato abraça o encontro com muita alegria. A região do Cariri tem o maior número de manifestações da tradição popular, tem a vocação para as tradições orais, tem as bandas cabaçais, os reisados, lapinhas, coco, maneiro-pau, entre várias manifestações”, enumera.

“É um privilégio, pra gente, trabalhar com os grupos de tradição, pra que a gente possa cada vez mais instituir ações de política cultural para esse fortalecimento. Como a Lei Municipal dos Mestres da Cultura, que estamos trabalhando para tornar realidade, e como as escolas livres de repasse da tradição popular, que vamos implantar, os Terreiros Vivos dos Mestres”, acrescenta Dane de Jade, citando que o primeiro deles será o Centro de Formação e Apoio do Reisado e da Tradição Popular, com destaque para Mestre Aldenir.

Novos mestres
Selecionados em 2013, serão diplomados como novos Mestres da Cultura, reconhecidos pelo Governo do Estado, José de Abreu Brasil (Palhaço Pimenta), mestre da arte circense, morador de Fortaleza; e Josefa Pereira de Araújo, rendeira, moradora de Potengi. Também serão diplomados o reisado Boi Coração (responsável: Luciano Correia dos Santos), da cidade de Ocara, e o reisado Nossa Senhora de Fátima (responsável: Maria de Fátima Monteiro Cosmo), de Juazeiro do Norte. Também será agraciada a Comunidade da Prainha do Canto Verde (representante: José Alberto de Lima Ribeiro), de Beberibe.

Esses novos mestres e grupos reconhecidos se unem ao conjunto dos 58 Mestres da Cultura/Tesouros Vivos contemplados pelo Governo do Estado. Todos foram convidados a participar do 8º Encontro Mestres do Mundo, reeditando a grande festa de cores e saberes, tradições e reinvenções, desta vez tendo por cenário a múltipla e intensa região do Cariri.

Da Redação em Brasília 


Exposição retrata cotidiano de matriz africana no Brasil

O Centro Cultural Correios de Salvador (BA) recebe, a partir desta quinta-feira (19), a exposição fotográfica itinerante "E o silêncio nagô calou em mim" em que a fotógrafa Denise Camargo compartilha a sua experiência no campo das imagens por meio da tradição religiosa afro-brasileira.


 
Exposição retrata cotidiano de matriz africana no Brasil. Foto: Silêncio Nago/Oju Cultural/ Denise Camargo
A mostra traz 30 imagens acompanhadas de textos, vídeo e trilha sonora composta especialmente para a exposição e um ambiente interativo. Crenças e tradições se revelam, combatem preconceitos e refletem o processo de criação da artista no território sagrado dos ritos.

As lentes de Denise focam a cultura afro-brasileira ao entrar no espaço mítico-ritual do candomblé, revelando o processo de criação da artista no território sagrado dos ritos. "Parti da premissa que o território sagrado das cerimônias de candomblé é um espaço de experiência, de imersão cultural, de contemplação e respeito ao acervo de saberes", detalha ela, que recebeu o Prêmio Palmares em 2012, para publicação da tese Imagética do candomblé, uma criação no espaço mítico-ritual e o Prêmio Brasil Fotografia – Bolsa para desenvolvimento de projeto, este ano.

A curadoria de "E o silêncio nagô calou em mim" é de Diógenes Moura, escritor, editor, roteirista e curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo entre 1998 e maio de 2013.

E o Silêncio Nagô..., que chega a Salvador depois de ficar em cartaz com sucesso em Brasília, coloca em circulação, de maneira inédita, ideias sobre um objeto artístico geralmente renegado à invisibilidade. É uma exposição enriquecedora tanto em seu conteúdo quanto na forma de proporcionar a aquisição de conhecimento.

Acessibilidade
Acessível aos deficientes visuais e ao público de todas as camadas sociais, a coletânea alia tecnologia e arte em um só espaço. Além das imagens, da trilha sonora, de palestras da artista e de convidados, de oficina de formação para educadores, o projeto contempla sinalização podotátil que auxiliará a visita de cegos. Eles receberão na entrada da sala um aparelho com audiodescrição das imagens, garantindo total autonomia durante o percurso expositivo.

Serviço:
Exposição: E o Silêncio Nagô Calou em Mim
Data: 19 de dezembro 2013 até 22 de fevereiro de 2014
Local: Centro Cultural Correios
Horário: segunda à sexta-feira, das 10h às 18h e sábados das 8h às 12h
Endereço: Travessa Cruzeiro de São Francisco, nº 20 – Pelourinho, esquina com Rua Inácio Acioli
Entrada gratuita
Agendamento de visitas para escolas e informações: oju.cultural@gmail.com


Fonte: Ascom/MinC

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Área do centro antigo de Salvador será revitalizada pelo Iphan

Uma série de intervenções será feita para a revitalização do Centro Antigo de Salvador, área que envolve a Cidade Baixa, o Centro Histórico e bairros do entorno. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Governo Estadual da Bahia apresentaram nesta quarta-feira (11), um plano de recuperação.


 
IPHAN e Governo baiano anunciam recursos para revitalização
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Governo Estadual da Bahia apresentaram, no Palácio Rio Branco, um plano com uma série de intervenções para a revitalização do Centro Antigo de Salvador, área que envolve a Cidade Baixa, o Centro Histórico e bairros do entorno. Participaram do ato os secretários estaduais, Rui Costa, da Casa Civil; Cícero Monteiro, de Desenvolvimento Urbano; o presidente em exercício da Conder, Ubiratan Cardoso; a diretoria do Centro Antigo de Salvador (Dircas), Beatriz Lima; deputados, vereadores, dentre outras autoridades.

O governador Jaques Wagner destacou que a ação tem como objetivo não somente atrair turistas, mas também os próprios moradores, através do desenvolvimento urbano. "Essa joia que é o Centro Antigo de Salvador, que desperta a paixão do Brasil, é algo que tem que ser cuidado. Essa área é parte da nossa história, cultura e turismo. Acho importante que a gente esteja recuperando essa parte de Salvador. Que o Pelourinho não seja um museu a céu aberto, mas que tenha vida própria", ressaltou Jaques Wagner.

No plano, estão previstas recuperação de 23 monumentos, requalificação e urbanização de 326 vias e desapropriação de 328 imóveis que passarão por restauração para ganhar melhor uso. Serão investidos cerca de R$ 430 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que totalizam R$ 265 milhões – incluindo recursos do PAC Cidades Históricas – e mais R$ 165 milhões do governo estadual, que incluem iluminação, adequações de acessibilidade, medidas para melhoria do tráfego e recuperação de encostas.

Em Salvador, o Iphan-BA aplicará recursos de R$ 142,10 milhões em 23 intervenções em monumentos, equipamentos e edifícios históricos. Segundo o superintendente do Instituto, Carlos Amorim, os monumentos em Salvador que serão recuperados foram escolhidos de acordo com a localização e situação atual de cada um. “Era muito importante que a gente tivesse uma intervenção que formasse um bloco. A partir daí fomos verificar quais monumentos precisariam de intervenções mais rápidas e monumentos que ainda não tinham sofrido intervenções relevantes nas últimas décadas”, explicou. Amorim acrescentou que outro aspecto fundamental foi o aumento da mobilidade vertical, pelo incremento da relação tradicional entre a Cidade Alta e o bairro do Comércio. O prazo estimado para a conclusão de todas as intervenções é de 36 meses.


Revitalização e integração

Na opinião de Rui Costa, a ocupação de prédios e casarões é fundamental para a preservação da área. “A ideia é revitalizar e integrar esta parte de Salvador ao restante da cidade, como acontece em várias cidades históricas do mundo inteiro, com investimentos em mobilidade e também na constituição de um fundo imobiliário que vai recuperar os casarões e atrair mais investimentos para o centro antigo”.

As intervenções contemplam os 11 bairros compreendidos na região do Centro Antigo de Salvador, como Pelourinho, Barroquinha, Frontispício e Cidade Baixa.Já os recursos para as obras de pavimentação, calçadas e sinalização serão destinados aos bairros do Comércio, Calçada, Centro, Campo Grande, Politeama, Saúde, Santo Antônio, Barbalho, Nazaré, Soledade, Barris, Lapinha, Tororó e Macaúbas.

Assinaturas de editais e acordo
No evento, o superintendente do Iphan-Ba, Carlos Amorim, assinou os editais de licitações para onze projetos e a execução de quatro obras (Igreja São Domingos, Forte São Marcelo, Catedral Basílica e Santa Casa de Misericórdia). Do total de 23 projetos, oito estão com os editais sendo desenvolvidos. Também foi assinado um acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Cultura, o governo da Bahia e a prefeitura de Salvador para a recuperação do centro antigo. Além de acordos para a criação do fundo de investimento e construção de unidades habitacionais para a população de baixa renda, com a Caixa Econômica Federal (CEF) e protocolos de intenções com os ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento Social.

Municípios baianos beneficiados
Além de Salvador, outros municípios baianos serão beneficiados. O PAC Cidades Históricas destinará R$ 13,17 milhões para a restauração de igrejas e do píer de atracação em Itaparica, R$ 15,74 milhões a serem aplicados na restauração dos principais monumentos tombados de Maragogipe e mais R$ 31,08 milhões para a restauração de monumentos e implantação do campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Santo Amaro.

Fonte: IPHAN-BA