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No nosso blog: Brasileiros, Norte Americanos, Portugueses, Canadenses, Russos, Ingleses, Italianos, Eslovenos, enfim, todos que gostam da cultura Brasileira e que tem nos acompanhado.

quarta-feira, 6 de março de 2013

História Cultural do GIGANTE DA COLINA II

1924

Enquanto na política o país era liderado pelo presidente Arthur Bernardes, no futebol a equipe vascaína vencia quase todas as partidas que disputava e também as competições. Depois de atropelar os adversários no ano anterior, em 1924 o Vasco já era o inimigo número 1 das demais torcidas cariocas. Um rival a ser batido, de qualquer maneira. E já que era difícil batê-lo em campo, os dirigentes dos clubes rivais resolveram investigar as atividades profissionais e sociais dos camisas negras, uma vez que o futebol ainda era amador e os jogadores não podiam receber salário por praticarem o esporte. Um verdadeiro golpe para tirar o Vasco das disputas.
Na verdade, o que não agradava os adversários era a origem daqueles jogadores: um time formado por negros, mulatos e operários, arrebanhados nas áreas pobres da cidade do Rio de Janeiro.
Depois de esgotadas todas as possibilidades de retirar o Vasco da disputa, por intermédio do  regulamento da Liga Metropolitana, os adversários apelaram para a criação de uma nova entidade, a Associação Metropolitana de Esportes Athléticos (AMEA) e recusaram a inscrição dos vascaínos. Segundo os dirigentes adversários, o time cruzmaltino era formado por atletas de profissão duvidosa e o clube não contava com um estádio em boas condições. 
Nesse contexto, a AMEA solicitou ao Vasco que excluísse doze de seus jogadores da competição que, não por coincidência, eram todos negros e operários. O Club de Regatas Vasco da Gama recusou a proposta prontamente. E através de uma carta histórica de José Augusto Prestes, então presidente cruzmaltino, o Gigante da Colina mostrou sua total indignação à discriminação racial: "Estamos certos de que Vossa Excelência será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno de nossa parte sacrificar, ao desejo de filiar-se à Amea, alguns dos que lutaram para que tivéssemos, entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923 (...) Nestes termos, sentimos ter de comunicar a Vossa Excelência que desistimos de fazer parte da AMEA". Vítima do racismo de seus adversários, restou ao Vasco disputar, com outros times de menor expressão, o campeonato da abandonada Liga Metropolitana de Desportos Terrestres.
Nesse dia histórico, o futebol brasileiro começou a ser do povo. Começou a forjar a tolerância, traço fundamental da cultura brasileira, que possibilitou a diversidade e a riqueza racial e cultural que vivenciamos hoje. No ano de 1923 começou a ser possível conhecermos Pelé, Garrincha, Didi, Barbosa, Romário e tantos e tantos outros talentos inigualáveis do nosso esporte. E o Vasco deu o seu mais importante passo para ser o gigante no qual ele se tornou.
O ingresso do Vasco na AMEA foi aprovado em tempo para o campeonato de 1925, com os mesmos direitos que os clubes fundadores.  Os “camisas negras” obtiveram a terceira colocação na volta ao convívio com os principais clubes do Rio de Janeiro, em 1925, e conquistaram o vice-campeonato no ano seguinte.

Inauguração de São Januário, o maior estádio da América do Sul

1927

Inaugurado no dia 21 de abril de 1927, sua construção foi a resposta que os grandes clubes da época receberam, ao tentarem barrar a ascensão do time de negros e brancos pobres que, com o campeonato de 1923, havia conquistado o direito de figurar na elite do futebol carioca. A alegação de que o Vasco não tinha campo para receber seus adversários se desfez, quando o presidente Washington Luiz e sua comitiva viram-se diante do então maior estádio da América do Sul. Os vascaínos tinham se mobilizado em memorável campanha para arrecadar contribuições que possibilitaram erguer, em menos de 12 meses, um colosso. O estádio recebeu o nome oficial de Vasco da Gama, logo substituído por São Januário, devido à proximidade do estádio com a rua de mesmo nome.

Fachada do Prédio logo após sua inauguração
Torcedores do Vasco tiveram papel fundamental na construção da casa de todos os vascaínos, uma vez que a aquisição da área onde foi construído São Januário foi possível graças a doação de torcedores e sócios apaixonados.

Esse grande marco teve como festa de inauguração um belo amistosos entre Vasco e Santos. O time vascaíno saiu derrotado por 5 a 3, o que pouco importava, já que o placar final foi apenas coadjuvante do espetáculo. O fundamental era que o maior e melhor estádio do Brasil, até 1940, havia nascido para o futebol. Além das grandes comemorações das principais conquistas do clube, São Januário foi foi palco de grandes festas cívicas. Também foi da tribuna do estádio que o presidente Getulio Vargas assinou, em 1943, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Primeiro gol olímpico foi feito pelo Vasco

1928

Em março de 1928, o Vasco recebeu, em São Januário, a equipe do Montevideo Wanderers (URU) para um amistoso, com vitória vascaína por 1 a 0. A partida, que tinha o intuito de celebrar a inauguração dos refletores e da arquibancada posicionada atrás de um dos gols do estádio, entrou para a História. Com um gol feito em cobrança de escanteio, o jogador Santana marcou o primeiro gol olímpico que se tem notícia marcado em território nacional. Porém o primeiro gol olímpico oficial aconteceu em 2 de outubro de 1924, ano em que passou a ser permitido pelas regras oficiais marcar um tento diretamente de um escanteio. Naquela data, a Argentina bateu o Uruguai por 2 a 1 e um dos gols foi feito dessa forma. Coube ao argentino Onzari assinalar esse tento histórico que foi imediatamente batizado de ‘gol olímpico’, para ironizar os vizinhos que quatro meses antes tinham conquistado a medalha de ouro no futebol nos Jogos Olímpicos de Paris.

Vasco cede jogadores para a 1ª Copa do Mundo

1930

Na Copa do Mundo de 1930 o Vasco contou com alguns de seus jogadores na seleção brasileira. Itália, Brilhante, Russinho e Fausto eram os vascaínos que representaram o Brasil na competição que aconteceu no Uruguai. Apesar da eliminação prematura do Brasil, Fausto foi considerado um dos destaques daquela Copa, recebendo dos uruguaios o apelido de “Maravilha Negra”.

Maior goleada do clássico com o Flamengo e a primeira excursão à Europa

1931

Em 1931, os vascaínos impuseram a maior goleada da história do clássico Vasco x Flamengo. O Gigante da Colina aplicou um humilhante 7 a 0 no rival rubro-negro. Além disso, outro fato marcante: o Vasco se tornou o segundo clube brasileiro (o Paulistano foi o primeiro, em 1926) e o primeiro carioca a ser convidado para uma excursão à Europa. Os vascaínos visitaram Portugal e Espanha e deixaram uma impressão favorável, com ótimas atuações e uma campanha de 8 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, 45 gols pró e 18 contra.

Leônidas da Silva joga no Vasco, e é campeão carioca

1934

Em 1934, o Vasco contratou Leônidas da Silva. O "Homem de Borracha", apelido que recebeu por sua flexibilidade em campo, após retornar ao Brasil depois de um período no Peñarol (URU). No ano em que vestiu a camisa cruzmaltina, Leônidas foi campeão carioca. Logo após a conquista, foi convocado para a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1934. Com isso, Leônidas teve que se desligar como profissional do clube, uma vez que a CBD só aceitava "amadores". Dessa forma, encerrou-se a curta trajetória do famoso craque na Colina.

Surge o Clássico da Paz

1937

Em 1937, depois de uma briga entre clubes cariocas e a conseqüente cisão de quatro anos de duração, Vasco e América conseguem a reconciliação no futebol do Rio de Janeiro. Graças à iniciativa dos presidentes de Vasco e América, respectivamente Pedro Pereira Novaes e Pedro Magalhães Corrêa, no dia 29 de julho, foi criada a Liga de Football do Rio de Janeiro. Para comemorar a vitória fora de campo, os dois times se enfrentaram em São Januário, dois dias depois da criação da Liga, em partida com renda recorde na cidade.

Em 31 de julho de 1937, com 25 mil presentes e salva de 21 tiros, São Januário foi palco da festa que selou o fim da crise no futebol da então capital do país. Promotores da concórdia, Vasco e América se enfrentaram no primeiro jogo de uma melhor de três. O vencedor ficaria com o Troféu da Paz, homenagem de O Camiseiro, loja de roupas masculinas que marcou época no comercio do Rio. Na primeira partida da série, o Vasco venceu por 3 a 2  que também deu ao clube a Taça Pinto Bastos e o Bronze da Vitória (oferecida pela revista O Cruzeiro). Em 5 de setembro do mesmo ano, os dois times foram a campo e a vitória ficou com os americanos (3 a 1). Segundo o Jornal do Brasil, edição de 24 de março de 1942, este terceiro jogo para decidir a posse definitiva do Troféu da Paz só foi disputado em 22 de março de 1942. O Vasco venceu por 2 a 1 e essa partida marcou, inclusive, a estréia de Ademir no Vasco. A partir desse momento, o jogo entre os dois clubes ganhou o apelido de Clássico da Paz.

2 comentários:

  1. Olha só que interessante: Eu não sabia que o PAC tinha um blog! Que legal! O PAC faz parte da minha história,passo por ele desde que eu era criança e estudava no Colégio Barão de Aiuruoca, já tive a oportunidade de ver exposições lá, e sempre torci muito para que esse espaço não acabasse! Vou linkar o endereço do PAC lá no meu blog, é uma forma de divulgar e é claro: De que eu volte mais vezes!
    Abraços e parabéns!

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  2. Valeu Cris , apareça sempre e dê sugestões!!!!

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