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No nosso blog: Brasileiros, Norte Americanos, Portugueses, Canadenses, Russos, Ingleses, Italianos, Eslovenos, enfim, todos que gostam da cultura Brasileira e que tem nos acompanhado.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Formas desejadas: as curvas de Niemeyer

oscar niemeyer Oscar Niemeyer (1908-1912). 

 


Por Oscar Niemeyer

Na folha branca de papel faço o meu risco,
Retas e curvas entrelaçadas,
E prossigo atento e tudo arrisco
Na procura das formas desejadas.

São templos e palácios soltos pelo ar,
Pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar,
Encontrará, em todos, os encantos da mulher.

Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.

A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
A vida mais feliz, a pátria mais amada.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Roberto Amaral: Inspiração ideológica


Não se discute o reacionarismo da "grande imprensa" no Brasil (eu havia escrito "da imprensa brasileira", mas pensei melhor); a questão é seu entranhado entreguismo, pois, para ser de direita não precisa ser entreguista. A imprensa dos EUA, por exemplo, embora conservadora, é nacionalista… É este, aliás, o único ponto em que a imprensa aqui instalada se afasta de sua congênere norte-americana: vive de costas para os interesses nacionais.


Por Roberto Amaral*, na Carta Capital


A explicação, porém, é fácil: no reverso, para atender aos interesses dos EUA (mais precisamente da dupla Pentágono-Departamento de Estado, e, logo, Departamento de Comércio), ela, essa imprensa, precisa ser antinacional. Por isso, em seu viés, o Brasil pode até crescer, desde que jamais ouse deixar de ser ‘quintal’ do grande ‘irmão do Norte’. Pode até ser rico, o Brasil, para poder ser bom comprador; contanto que jamais ouse qualquer arroubo de autonomia.

Nossas ‘elites’, ideologicamente colonizadas, não entendem que um país mestiço possa ter política externa, mormente ditada pelos seus próprios interesses.

Não é de hoje. Não é anti-lulismo, embora tenha encontrado nessa paixão política terreno fértil para se desenvolver. A grande imprensa, que ainda hoje odeia a Petrobras (que deslocou a Esso de nosso território), foi sempre contra a exploração brasileira do petróleo brasileiro. Chegou mesmo a defender a tese de que não devíamos gastar dinheiro procurando um ‘óleo que não tínhamos’, se podíamos comprá-lo das "sete irmãs". Foi contra a triticultura brasileira, pois deveríamos comprar o trigo subsidiado do Ponto 4, quando os EUA renovavam seus estoques de Guerra. Foi contra a industrialização do país. Repercutindo as teses de Eugênio Gudin, dizia-nos que nossa vocação, de país agrícola ‘por natureza’, era a de ser, palavras de hoje, "a grande fazenda do Ocidente". Jamais gostou da democracia. Foi contra a posse de JK, contra a posse de Jango, a favor do golpe de 1964 e do regime militar, cuja implantação defendeu com entusiasmo, dando-lhe sustentação, até o momento em que, como genipapo maduro, a ditadura anunciou que ia cair do galho.

O ódio a Vargas vinha daí, não da ditadura do Estado Novo, mas do Vargas do regime democrático; não fôra ele defensor dos interesses nacionais em conflito com o imperialismo (recomendo a releitura de sua "Carta-testamento"; está no Google). Vem, também de seu ranço anti-popular, o ranço das "elites" que os meios de comunicação repercutem, pois Vargas foi o fundador do trabalhismo brasileiro.

Nossa velha imprensa nunca aceitou a ‘política externa independente’. Apoiou com denodo, e unanimidade, a aventura janista. Mas logo, comandada por Lacerda, passou a hostilizar o governo de JQ. Qual a motivação? Seus arreganhos autoritários? Seus delírios bonapartistas? Não, o inimigo era a política externa independente, elucubrada pelo presidente e exemplarmente formulada e executada por Afonso Arinos.

Anti-democrática, defendeu a tentativa de golpe contra a posse de Jango. Depois, sempre comandada ideologicamente pelo lacerdismo mais tacanho (pensei em escrever "abjeto", mas…) partiu para a conspiração e a oposição mais desabrida, de que é exemplo paradigmático o famoso editorial “Fora”, do "liberal" Correio da Manhã de 1º de abril de 1964. O que a incomodava, senão a política externa independente comandada pelo gênio de San Tiago Dantas?

Dócil e cevada, bem cevada com canais de rádio e de televisão para incensar a ditadura de 1964, sempre torceu o nariz para tudo que contrariasse os interesses do Departamento de Estado dos EUA. Ora, Geisel chegou a romper com o acordo militar Brasil-EUA e defender, contra a sabotagem estadunidense, o acordo nuclear com a Alemanha. Essa imprensa detestava Silveirinha, pois para ela o modelo de bom chanceler era o general Juracy Magalhães, para quem "o que é bom para os EUA é [era] bom para o Brasil”. Por essas mesmas razões não se cansou em render loas à diplomacia de FHC, aquela na qual nosso chanceler tirava os sapatos para ingressar no solo norte-americano; é a mesma imprensa que então e agora devotava e devota ódio à trinca Amorim-Marco Aurélio-Samuel Guimarães, que, sob o comando de Lula, recolocou nossa politica externa no campo da dignidade.

A grande imprensa, por definição, está a serviço dos interesses de classe, isto é, da classe dominante, isto é, do empresariado. No Brasil, porém, ela contraria os interesses de nosso empresariado, ou seja, do capitalismo caboclo, para quem é importante vender para a China, para quem é importante vender para a Venezuela, para quem é importante o Mercosul e o hemisfério Sul, em geral, e a África em particular (coisa que os chineses não ignoram). Mas, a chamada mídia (um monopólio ideológico e empresarial inaceitável numa democracia que se preze) não está comprometida, sequer, com o capitalismo brasileiro, pois se ela é fiel servidora de interesses externos, ela é servidora, antes de tudo, do capitalismo norte-americano, de seu imperialismo (vá lá a palavra detestada pelos "liberais" mas sempre exata) político e econômico, ainda presa, anacronicamente, a uma Guerra Fria que ela vai recolher na leitura da concordatária Seleções.

Nosso empresariado dos meios de comunicação de massas é contra a expansão de nossos interesses na América Latina, é contra a abertura de novos mercados para além dos EUA, e é a favor, ainda hoje!, da falecida ALCA , que, ao fim e ao cabo, pretendia nossa anexação.

Essas considerações me são provocadas pela leitura do editorial "Inspiração ideológica" do último dia 18 deste março, de um grande matutino brasileiro.

Começa, o editorial, curiosamente, por chamar nossa atual política externa de ideológica, para criticá-la, como se a própria crítica do jornal não fosse, em si, uma formulação ideológica…, para em seguida de fato defender nosso isolamento do sub-continente sul-americano. Essa tese vem dos tempos coloniais! É contra a aproximação com nossos vizinhos, particularmente com a Argentina (porque é governada por uma Kirschner), contra a Bolívia (porque é governada por Evo Morales), contra o Equador (porque é governado por Rafael Correa). Porque todos eles põem acima dos interesses dos EUA os interesses de seus povos. Isto está dito com todas as letras: esses países "são aintiimperalistas". Ao imperialismo deveriam ser dóceis. Essa mesma imprensa foi contra nossa aproximação com o Paraguai quando era governado por Lugo, e agora defende nossa aproximação porque Lugo foi defenestrado por um golpe-de-Estado parlamentar. Diz que não podemos afrontar os EUA, e uma maneira de afrontá-los, é aceitar que a China venha "substituindo os EUA como grande parceiro comercial do Brasil".

Reclama porque não brigamos com a Bolívia quando esta ocupou uma instalação da Petrobras. Defende a posição pusilânime dos EUA no golpe em Honduras, e acusa nossa posição ali – de firme defesa democrática – como "apelo ideológico".

Quer que o Brasil se dilua no Nafta (tratado entre os EUA o Canadá e o México, esses, dois países virtualmente sem soberania, até por uma tragédia geográfica) para, afinal, sucumbirmos na Alca, Aliança de Livre Comércio das Américas, fazendo de nós todos a colônia que já fomos de Portugal e Espanha, agora sob outra bandeira.

É por ignorância larvar ou má-fé medular que nossas "elites" não entendem a proposta estratégica de nossa presença na América Latina e na África?

O editorial do grande jornal é contra a presença da Venezuela no Mercosul, a maior reserva de petróleo do mundo, e onde estão instalados significativos interesses brasileiros. À conta do chavismo, em que pese a partida de Chávez.

E por que o jornalão é contra o chavismo? Simplesmente porque essa "ideologia" combate, nas terras venezuelanas, o imperialismo norte-americano que levou o povo daquele país riquíssimo à pobreza extrema. A Venezuela não pode integrar o Mercosul, porque se trata de uma nação ‘inimiga do maior Mercado consumidor do mundo, os EUA’. E aí, o editorialista confunde, numa grosseira contradição ideológica, o país Venezuela, uma permanência, com o chavismo, um processo político-social datado. Mais ainda: ignora, por má fé, a profunda relação comercial que os EUA mantêm com a Venezuela.

Afinal, esse editorial é tão sintomático do reacionarismo antinacional, que deve ter sido escrito (embora corrigido formalmente pelo copydesk do jornal), por um qualquer dos nossos embaixadores de pijama, recalcados irrecuperáveis, viúvas do "Consenso de Washington", alguns abrigados (salarialmente) na Fiesp, que, supunha-se, estaria a serviço dos interesses dos empresários brasileiros.

Com que Brasil sonha a velha imprensa?

* Roberto Amaral é cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004

Começa hoje o 3º Festival de Cinema Político da Argentina


Tem início, nesta quinta-feira (21), o 3º Festival de Cinema Político (Ficip 2013) da Argentina, com participação de produções de 33 países. O evento acontece até o dia 27 de março e será realizado em seis salas de cinema e outras instituições de Buenos Aires.


Insurgentes
Filme argentino de Jorge Sanjinés
Na mostra, que terá como convidados especiais os realizadores Jorge Sanjinés, da Bolívia, e Tata Amaral (Brasil), estarão presentes filmes de ambos os países, além de películas de Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Haiti, México, Nicarágua, Peru, Porto Rico, Uruguai, Venezuela e Argentina.

Também serão projetados filmes do Afeganistão, Austrália, Bélgica, Camboja, Canadá, China, Estados Unidos, Espanha, França, Grécia, Índia, Itália, Noruega, Palestina, Polônia, Catar, Reino Unido, Romênia e Vietnã.

Antes da inauguração oficial do encontro, Sanjinés, que apresentará seu filme Insurgentes, dará uma conferência sobre o estado atual do cinema em seu país.

Onze obras participarão da competição oficial internacional de longas-metragens, entre estas a coprodução argentina-italiana “El Impenetrable” (O Impenetrável); “Hoje”, de Tata Amaral; “Infância Clandestina”, de Benjamín Avila; e “Insurgentes”, de Sanjinés.

A competição internacional de meio-metragens tam´bem reunirá “Escrito en la Tierra” (Escrito na Terra), das venezuelanas Gabriela Fuentes e Florencia Mujica; “Palabras en fuga” (Palavras em fuga), do chileno Mauricio Alamo; “Hasta ahí te mueves” (Até aí se mexe), de Mariela Zunino (Argentina).

Na categoria curta-metragem competirão, entre outros: “De Pireos a Gaza, Evocación 1” (De Pireos a Gaza, Evocação 1), de “Luzia Lamanna” (Venezuela); “Juego de niños” (Brincadeira de criança), de Javier Gonzalez (Colômbia); “Objetivo Tornquist”, de Julian Caneva (Argentina), e “El talento”, de Rosario Fuentenebro (Espanha).

Em uma seção sobre o panorama latino, serão exibidas “Las Carpetas” (As Pastas), de Maite Rivera (Porto Rico); “Carrusel”, (Carrossel) de Guillermo Iván (Colômbia); “Con mi corazón en Yambo” (Com meu coração em Yambo), de María Fernanda Restrepo (Equador); “Carlos, el amanecer ya no es una tentación” (Carlos, o amanhecer já não é uma tentação), de Thierry Deronne (Venezuela), entre outras.

Os júris deste Terceiro Festival Internacional de Cinema Político da Argentina serão Jorge Denti (México), Carlos Azpurúa (Venezuela), Ignacio Aliaga (Chile), David Del Río (Espanha), Ruy Guerra e Roberto Fernández (Brasil). Além deles, Tomás Wells (Chile), Humberto Ríos, Nemesio Juárez, Florencia Saintout, Liliana Romero, Osmar Núñez, Pablo de Vita, Gustavo Escalante e Pablo Fischerman, todos argentinos.

Da Redação do Vermelho,
com Prensa Latina

Ariano Suassuna e as histórias que viveu país afora


Por cerca de uma hora, o escritor paraibano Ariano Suassuna prendeu a atenção do público durante palestra, nessa quarta-feira (20), na 1ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Regional, em Brasília. O autor de uma série de romances, entre eles Auto da Compadecida, valorizou a cultura brasileira, divertiu o público com histórias que viveu e ouviu pelo país e reivindicou o Brasil como berço de sua própria manifestação cultural.



Ariano Suassuna / foto: Agência Brasil

“Os jesuítas trouxeram uma contribuição maravilhosa ao teatro, mas quando aqui chegaram, já encontraram o teatro. Já encontraram uma música, uma dança. A cultura brasileira vem de muito antes do ano de 1500”, disse à plateia, que teve a presença do presidente em exercício, Michel Temer, e dos ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e da Aquicultura e Pesca, Marcelo Crivella. A conferência tem por objetivo discutir a reformulação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional.

O ocupante da Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, 85 anos, tratou de uma série de assuntos, como religião, sua paixão pelo circo e o medo de viajar de avião, sempre com bom humor. “Uma vez, uma moça me recebeu no aeroporto e disse professor, a viagem foi boa?. Eu disse: minha filha, eu não conheço viagem de avião boa. Só conheço dois tipos de viagens de avião: as tediosas e as fatais. Avião é uma coisa tão ruim que a gente reza para a viagem ser tediosa”.

Suassuna mostrou fotos antigas de cantadores nordestinos e de uma cena de teatro indígena, com a riqueza cultural do país, muitas vezes esquecida, segundo ele. “Machado de Assis dizia que no Brasil existem dois países, o oficial e o real. Todos nós somos criados, formados e deformados pelo Brasil oficial. Mas a gente tem que olhar para o Brasil real. Foi o que fiz no Auto da Compadecida, olhei para a literatura do povo brasileiro e procurei me manter fiel a ela”.

Antes de encerrar, Suassuna criticou a falta de referência ao próprio país nas universidades. Lembrou que, ao falar para estudantes de nível superior, todos conheciam o filósofo alemão Immanuel Kant, mas ninguém conhecia Matias Aires, filósofo brasileiro e contemporâneo de Kant. “A universidade brasileira ensina de costas para o país e para o povo. Eles todos já ouviram falar em Kant, mas não em Matias Aires, o maior pensador de língua portuguesa do século 18. A gente não dá importância a um pensador da qualidade de Matias Aires”.

O escritor leu para o público um texto de Matias Aires: “Quem são os homens mais do que a aparência de teatro? A vaidade e a fortuna governam a farsa desta vida. Ninguém escolhe o seu papel, cada um recebe o que lhe dão. Aquele que sai sem fausto nem cortejo e que logo no rosto indica que é sujeito à dor, à aflição, à miséria, esse é o que representa o papel de homem. A morte, que está de sentinela, em uma das mãos segura o relógio do tempo. Na outra, a foice fatal. E com esta, em um só golpe, certeiro e inevitável, dá fim à tragédia, fecha a cortina e desaparece”.

fonte: Agência Brasil

Direitos autorais: Ecad é condenado por formação de cartel


O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou nesta quarta-feira, por quatro votos a dois, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) - órgão responsável pelo recolhimento e repasse dos direitos autorais de músicas no Brasil - e seis associações de defesa de direitos autorais por duas condutas contra a concorrência: formação de cartel e abuso de posição dominante.


Segundo os conselheiros, o Ecad e seus associados não apenas se organizaram para tabelar valores, mas criaram barreiras à entrada de novas associações na entidade. "Entendo pela existência de prática de cartel. O atual sistema de arrecadação (de direitos autorais), não viabiliza de jeito nenhum a concorrência", afirmou o relator do processo no Cade, Elvino Mendonça, acrescentando: "O que não faltam são provas".

O Ecad e suas seis associações foram multados em quase R$ 40 milhões pelas duas práticas. O Cade determinou, no entanto, que os recursos para o pagamento da punição não venham dos valores que são repassados aos artistas. O conselho também determinou que o Ecad e seus integrantes deixem de combinar e tabelar os valores cobrados por direitos autorais. Em seu voto, o relator recomendou ainda que o Ministério da Cultura monitore a ação do Ecad.

O processo contra o Escritório foi aberto após a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) contestar no sistema brasileiro de defesa da concorrência uma cobrança de 2,55% da receita bruta das empresas de TV por assinatura. Esse era o valor que deveria ser pago a título de direitos autorais. O montante era cobrado de maneira unificada pelo Ecad e, por isso, as empresas alegavam que não havia margem para negociar valores com a entidade, que tabelava os preços.

O Cade entendeu ainda que o Ecad agiu para dificultar a entrada de concorrentes em seus quadros fixando regras rígidas para quem quisesse fazê-lo. O Escritório é composto por seis associações efetivas que são as responsáveis pela definição dos valores cobrados pela execução das músicas.

Segundo Mendonça, os critérios fixados para a entrada de novas associações no Ecad são tão restritivos que a última entidade efetiva ingressou no órgão há mais de 30 anos. "Há um bloqueio a entrada de novas associações. As barreiras são efetivas. Abusaram de posição dominante", disse o relator, acrescentando: "As associações, em conluio com o Ecad, abusaram de seu poder de mercado e fixaram preços".

Recorrer da decisão
O Ecad e associações vão recorrer judicialmente da decisão. Segundo o advogado da União Brasileira de Compositores (UBC), Sydney Sanchez, as soluções propostas pelo Conselho para aumentar a concorrência na cobrança de direitos autorais são inviáveis. Entre elas, está a proibição de tabelar valores. 

Os conselheiros determinaram que o Ecad cobre taxas de acordo com o conjunto de músicas que forem executadas numa festa a na programação de uma emissora de TV. Hoje, o valor não varia de acordo com o repertório. "Estamos retroagindo no tempo. O Cade aniquilou o sistema e tornou o processo (de cobrança de direitos) oneroso", disse Sanchez.

"O Ecad e as associações recorrerão desta decisão por entender que a estrutura de gestão coletiva criada pelos artistas musicais brasileiros foi esfacelada pelo Cade, que comparou as músicas a meros produtos de consumo e aplicou penalidades em razão do livre exercício dos direitos por seus criadores", diz o Ecad em nota.

Fonte: O Globo

quarta-feira, 20 de março de 2013

A praça da arte


Rosa Minine   

Tendo como base o teatro de rua e o circo, o coletivo Boa Praça circula pelo Rio de Janeiro. Durante um ano ocupa uma praça da cidade, onde apresenta seus espetáculos e recebe convidados, cantadores, cordelistas, músicos, etc, além de realizar oficinas, palestras, bate-papos e debates nas adjacências. Atualmente ocupando uma arena no Morro Azul, comunidade da zona sul do Rio, o grupo se orgulha de unir a cidade com um espaço feito para as artes cênicas.
– O Boa Praça é uma instituição cultural teatral que surgiu há seis anos, quando um grupo de artistas se reuniu e criou um movimento de arte de rua no Rio de Janeiro. O projeto foi adiante com a ocupação de espaços públicos, trabalho em praças, jardins, espaços abertos – fala André Garcia Alvez, um dos fundadores.
– Atualmente somos três à frente do projeto: o artista Léo Carnavalle, a Cia 2 Banquinhos e a Cia Será o Benidito?! Realizamos uma gestão compartilhada, o que faz com que consigamos ampliar o diálogo com a sociedade, porque são três frentes, que em seu repertório, sua história, seu trabalho, se uniram em prol de um projeto maior – continua André, que faz parte do Será o Benidito?!.
Atualmente o Boa Praça desenvolve, na praça ocupada, uma programação de abril a novembro.
– Sempre no último domingo do mês temos as apresentações dos convidados, artistas, parceiros envolvidos com a arte de rua. E na sua adjacência desenvolvemos as oficinas, palestras, conversas, debates, ajudando a revitalizar o local e aquecê-lo artisticamente – expõe.
– No ano passado ocupamos o Méier [Zona Norte do Rio] e trabalhamos os bairros do entorno: Piedade, Lins, Cachambi. Este ano, por conta de falta de patrocínio, editais, não pudemos ocupar Marechal Hermes, como planejamos. Mas, como o nosso pensamento político é que o projeto não pode parar, pegamos nosso fundo de caixa, uma verba mínima que tínhamos, e ocupamos o Morro Azul, no bairro do Flamengo – conta.
– No morro tem uma arena de mais de vinte metros. Pensamos então em revitalizar, integrar esse espaço, que é feito para teatro, dentro do roteiro teatral da cidade. E o nosso grande ganho agora é ver os moradores da comunidade participando, e os moradores do asfalto subindo o morro para assistir aos espetáculos – declara.
André diz que no Boa Praça o importante para o grupo é trabalhar em prol da arte na cidade, com ou sem verba.
– Temos toda a autonomia que a rua nos dá para podermos atuar. Somos donos do nosso trabalho, basta irmos ao encontro do público e realizá-lo. Evidente que além dessa verba mínima que tínhamos guardado, contamos muito com o apoio e a parceria de amigos e artistas que participam do projeto mesmo com cachês irrisórios. Tem artista vindo do Piauí, São Paulo, Minas Gerais etc, se apresentar conosco, pagando a própria passagem – comenta.
– E mesmo em condições mínimas, continuamos realizando, gratuitamente, nossas oficinas diversas: gestão cultural, teatro de rua, perna de pau, palhaço, porque é importante manter esse espaço de desenvolvimento do saber – afirma.

Espaço aberto para o artista

O Boa Praça, conta André, tem trabalhado com uma programação de circo e teatro de rua, e oferecido espaço para quem quer apresentar a sua arte. 
– Assim como temos o teatro, a dramaturgia pensada para a rua, nós temos também os espetáculos circenses que vão desde os acrobáticos, com malabares, até os de palhaço. E antes de qualquer apresentação principal temos meia hora, às vezes quarenta minutos, dependendo do dia, para que artistas apresentem seus números – conta.
– Aí aparece boneco, dança, música, performance, palhaço, cantador, cordelista. E o que mais tem nos deixado feliz é que as crianças do Morro Azul estão instigadas a apresentar alguma coisa. Estamos desenvolvendo oficinas com a comunidade para desenvolver essas crianças e inspirar o surgimento de novos artistas – continua.
– Para o próximo ano estamos negociando para entrar em Madureira ou Jacarepaguá e desenvolver nosso trabalho. Além disso estamos desenvolvendo, juntamente com outros artistas da cidade, o projeto Territórios Culturais, que  desenvolverá uma pesquisa de cadastramento, reconhecimento e pertencimento do artista para a arte pública – anuncia.
Além do Boa Praça, estão envolvidos no Territórios Culturais os coletivos Tá Ná Rua, Off-Sina, e Cia Brasileira de Mystérios e Novidades.
– Cada grupo vai trabalhar com uma praça e a sua adjacência, desenvolvendo a arte pública, de rua. O Boa Praça ficará com a Saens Peña, na Tijuca, o Tá Na Rua trabalhá a Lapa e o Centro, o Off-Sina ficou com o Largo do Machado, e o Cia Brasileira de Mystérios e Novidades com a Praça da Harmonia, que é na Gamboa – relata André.
– Nós quatro e outros artistas batalhamos muito pela Lei de Artista de Rua, já aprovada, que nos libera para apresentar nosso trabalho em qualquer espaço público, sem nenhum tipo de autorização prévia. Evidentemente respeitando lei do silêncio depois das 22hs, e outras desse tipo. Acredito que essa foi uma grande conquista que todos os artistas de rua conseguimos – conclui André Garcia Alvez.
O site www.boapraca.art.bra é o contato do coletivo Boa Praça. 

Teatro de palhaços e brincantes


Rosa Minine   

Tendo como principal característica a mistura da arte circense com os folguedos populares, o grupo cearense de teatro de rua Garajal trabalha a arte do palhaço misturada aos brincantes da cultura do povo. Com oito anos de existência, além de levar teatro brincante para as ruas, o grupo criou também o Instituto de Artes e Cultura Popular, um núcleo de formação destinado a criar novos brincantes para que essa arte não desapareça

Com apresentações que misturam circos e folguedos, o grupo consegue entreter e interagir


— O grupo foi fundado aqui mesmo em Maracanaú, cidade vizinha de Fortaleza. A maioria dos fundadores é oriunda do meio popular daqui da cidade. Todos nós estudamos em escola pública e já tínhamos como certo ser operários das fábricas que têm aqui, coisa comum entre os moradores desta cidade industrial, mas sentimos a necessidade de nos juntar para fazer cultura e mostrar que também podemos viver disso – explica Mario Jorge Maninho, coordenador e diretor do grupo.
— Nosso trabalho é uma mistura do reisado, do pau de fita, das quadrilhas juninas e outras manifestações, usando a figura do palhaço. A ideia é buscar, junto à comunidade, o resgate da cultura popular do Ceará para manter viva essa chama na criançada – continua. 
Em "cearês", garajal é o nome que se dá ao lugar de guardar "bregueços", coisas velhas. Também é aquele gradeado de levar galinhas e aquelas grades de proteção das árvores nas avenidas.