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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Presente para as artes



Belas artes: estudos e apreciações, escrito pelo crítico Félix Ferreira, em 1885, ganha reedição comentada por Tadeu Chiarelli

Fundação da cidade do Rio de Janeiro, de Firmino Monteiro (óleo sobre tela, 200x300cm, 1881).
Fundação da cidade do Rio de Janeiro, de Firmino Monteiro (óleo sobre tela, 200x300cm, 1881).  (Crédito: Acervo do Palácio Pedro Ernesto.)
Capa do livro.
Combate naval do Riachuelo, de Victor Meirelles (1a versão). Óleo sobre tela, c. 1872; fotografada por José Ferreira Guimarães. Fotografia sobre esmalte, 17x36cm, 1881.
Vista (do Morro) do Cavalão, de Georg Grimm, óleo sobre tela, 110x84cm, 1884.
Com mais de um século de atraso, repara-se uma grande injustiça:Belas artes: estudos e apreciações, o primeiro livro de História da Arte do Brasil, esgotado desde o século XIX, ganha reedição comentada pelo professor e pesquisador da USP Tadeu Chiarelli. O lançamento acontece nesta sexta, 22/03, às 17h, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com seminário gratuito com a presença de Tadeu Chiarelli e do editor Alexandre Dias Ramos, tendo como convidadas as professoras Ângela Âncora da Luz e Sônia Gomes Pereira.

Publicado em 1885 pelo crítico de arte Félix Ferreira, Belas artes: estudos e apreciações foi o primeiro livro do país que elaborou uma reflexão sobre o desenvolvimento da arte através do tempo e do espaço, buscando também inserir a produção artística brasileira nesse panorama histórico. “Ele teve dois propósitos: primeiro, introduzir o leitor brasileiro ao legado anterior da arte universal, familiarizando-o com os períodos da história da arte (Origem e Desenvolvimento; Transformação e Florescimento; Grandeza e Decadência; Renascimento e Arte Moderna); o segundo era situar a produção artística brasileira dentro desse conjunto mais amplo, integrando obras e artistas cariocas à tradição forjada pela história da arte que se consolidava no século XIX”, explica Tadeu Chiarelli, que começou a pesquisa em 2004.

A nova edição, financiada pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, conta com um longo prefácio, fruto da pesquisa de Chiarelli, além de um glossário com termos específicos da época, bibliografia e biografia de Félix Ferreira. O projeto incluiu ainda um minucioso levantamento iconográfico das obras mencionadas no texto original. A obra será distribuída pela editora Zouk.

Atualmente existem apenas dois exemplares no país: um na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, e outro no setor de obras raras da Biblioteca da UFRJ, no Rio de Janeiro. A pesquisa foi realizada com o exemplar da Biblioteca Mário de Andrade: “Como o livro não pôde sair da seção de obras raras tivemos que transcrevê-lo manualmente e depois o adaptamos para o português atual”, explica o professor e curador.

Félix Ferreira foi um dos mais importantes críticos do século XIX. Segundo pesquisa da doutora em Teoria da Arte Camila Dazzi, sua obra não teve o devido reconhecimento quando foi publicada porque Félix não colaborava com jornais e revistas dedicados a artes e seu livro foi estigmatizado por um dos periódicos mais populares no período: “O fato da obra não ter merecido ainda um estudo aprofundado, sobretudo se comparada à do seu contemporâneo Gonzaga-Duque, se explica, em certa medida, pelo fato de Félix Ferreira ter produzido um número bem menos significativo de publicações voltadas às artes, não tendo atuado, até onde podemos constatar, como colaborador de jornais e revistas do período com críticas sobre assuntos artísticos”.

“Devemos somar a isso o fato de Belas Artes: estudos e apreciações ter sido duramente exprobado, quando da sua publicação, em um dos principais periódicos de então, a Revista Illustrada, uma “producção transborda de banalidade” e “isenta de bom gosto e critério. Tal estigma possivelmente pesou sobre o livro durante os anos que se seguiram, influenciando posteriores leituras e, mesmo, desestimulando possíveis revisões da obra”, segundo artigo da pesquisadora.

Camila Dazzi explica ainda que, apesar de o texto ser assinado com um pseudônimo, o autor provável dos comentários depreciativos teria sido Angelo Agostini, crítico de arte e um dos primeiros cartunistas brasileiros. Agostini teria questões particulares contra Félix Ferreira, que teceu “injustíssimas apreciações” em relação a artistas com quem Agostino mantinha amizade.

Tadeu Chiarelli, que também é diretor do MAC/USP, concorda com Camila Dazzi e supõe ainda que a falta de aceitação da obra na época se deva a algumas ideias de Félix Ferreira. “O ambiente do Rio era muito provinciano, e o problema que talvez tenha dificultado a recepção do texto é que Félix tinha algumas propostas muito concretas em relação, por exemplo, à educação das massas. Esse tipo de pensamento para alguns setores poderia soar muito aberrante. Félix era um pensador ligado a setores menos comprometidos com uma visão mais oficial da arte”, explica Tadeu.

A reedição permite, portanto, o resgate do autor e de suas contribuições para a historiografia da arte – brasileira e, em particular, carioca. Tadeu Chiarelli comemora a possibilidade de um grande número de estudantes e pesquisadores entrarem em contato com essa fonte, até então desconhecida pela maioria. “Esse é um trabalho que traz muitos dados e questões para uma reflexão mais aprofundada sobre o cenário artístico do Rio no fim do século XIX, para se pensar a crítica da arte, a situação dos museus, do patrimônio, e analisar como a população via essas questões em um momento histórico extremamente significativo, às vésperas da abolição da escravidão e da proclamação da República”, finaliza.

Sobre o livro:

Belas artes: estudos e apreciações, de Félix Ferreira

Editora Zouk – coleção “Arte: ensaios e documentos”, nº 6

2° edição, comentada por Tadeu Chiarelli

306 páginas - Capa dura - 16x23cm

R$ 49,00

Projeto realizado com patrocínio do Governo do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura – Edital Artes Visuais 2011.

Produzido e distribuído pela Editora Zouk.

Ministério da Cultura apresenta suas políticas públicas no Fórum Social Mundial



O Ministério da Cultura (MinC) vai mostrar suas políticas culturais no Fórum Social Mundial 2013, na Tunísia, nesta quinta-feira (28). O avanço na formulação do Plano Nacional de Cultura (PNC) e o Sistema Nacional de Cultura (SNC), ambos articulados entre sociedade brasileira e o poder público, a ampliação das metas do Cultura Viva e o inédito programa Vale-Cultura serão apresentados pelo secretário substituto da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, Américo Córdula.

O Fórum Social Mundial 2013 (FSM 2013) é um encontro de troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que acontece até sábado (30) em Túnis.
A palestra "Processos Participativos na Construção de Políticas Culturais Brasileiras" vai demonstrar aos convidados e participantes do Fórum como essas políticas públicas foram formuladas com envolvimento participativo da sociedade em geral. Córdula vai falar sobre os principais dispositivos pelos quais o PNC, o SNC, o Cultura Viva e o Vale-Cultura foram elaborados e traçar as linhas de atuação e as metas de cada um desses instrumentos.

A formulação dessas políticas públicas teve origem em conferências municipais, estaduais e nacionais de cultura; consultas públicas online, debates sobre o Marco Civil da Internet, a reforma da Lei de Direito Autoral; debates em torno dos planos setoriais e metas. Todas essas ações tiveram como base a inclusão social, a democratização e a participação da sociedade brasileira na definição das diretrizes para o setor.

Políticas culturais do MinC no FSM 2013

Plano Nacional de Cultura - Conjunto de princípios, objetivos, diretrizes, estratégias, ações e metas que devem orientar o poder público na formulação de políticas culturais articuladas entre a sociedade civil e os governos federal, estaduais e municipais. Compreende 53 metas a serem executadas até 2020. Previsto na Constituição Federal desde a aprovação da Emenda 48 em 2005, o Plano Nacional de Cultura é fruto de pesquisas, estudos, debates e encontros participativos, como a Conferência Nacional de Cultura, o Conselho Nacional de Política Cultural, os Colegiados e as Câmaras Setoriais, Fóruns e Seminários.
Sistema Nacional de Cultura - Modelo de gestão e promoção conjunta de políticas públicas de Cultura pactuadas entre os entes da federação e a sociedade civil, que tem como órgão gestor e coordenador o Ministério da Cultura.

Vale-Cultura - Benefício de R$ 50 mensais que será concedido aos trabalhadores que recebam, preferencialmente, até cinco salários mínimos por mês. Com ele os trabalhadores poderão assistir a peças teatrais, ir ao cinema, comprar livros, CDs e consumir outros produtos culturais. O decreto de regulamentação será publicado nos próximos dias e, na sequência, o MinC baixará portaria para estabelecer as regras para sua utilização.

Cultura Viva - Programa criado em 2004 tem 3.662 Pontos de Cultura espalhados pelo país. Uma das 53 metas do Plano Nacional de Cultura é levar o apoio do ministério a 15 mil Pontos de Cultura até 2020.

Da academia para a arte de rua


Rosa Minine   
Nascido do encontro de uma turma de jovens estudantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista) de Presidente Prudente, SP, o grupo de circo e teatro de rua Rosa dos Ventos completa em abril quatorze anos de estrada. Apresentando acrobacias, palhaços, malabares ou falando da exploração do homem pelo homem através do cômico, a trupe tem a preocupação de elevar a consciência das pessoas com a intenção de provocar mudanças.
http://www.anovademocracia.com.br/106/09a.jpg
Grupo circense e teatral Rosa dos Ventos usa o cômico para falar dos problemas sociais
— Ninguém tinha envolvimento com circo e teatro, viemos para Presidente Prudente cursar educação física, geografia, etc.. Esse interesse surgiu mesmo ao acaso. Acabamos morando no alojamento da universidade e isso proporcionou que nos conhecêssemos e favoreceu os encontros e ensaios, que aconteciam paralelos às atividades acadêmicas — conta Fernando Ávila, um dos atuadores do grupo e também conhecido como palhaço 10 Prás 7. 
— A faculdade deu uma espécie de fomento, uma oportunidade de ficarmos quatro anos apresentando, tentando, pensando, estruturando, e com bolsa, porque participávamos de um programa de auxílio ao estudante. Começamos fazendo pequenas apresentações de palhaços, clássicos de circo, até chegar ao nosso primeiro espetáculo Hoje tem espetáculo, nessa linha circense com palhaços, malabares, acrobacias etc — continua.
— No término da faculdade nos deparamos com um possível fim do grupo, porque tínhamos uma estrutura que não continuaria. Nesse momento decidimos seguir adiante, nos profissionalizar. Com isso surgiu nosso segundo espetáculo,Saltimbanques, com gags de circo, mas já voltadas para a rua e baseadas na nossa história — acrescenta.
Depois disso o grupo sentiu a necessidade de fazer espetáculo com história, e assim surgiu A farsa do advogado Pathelin.
— Já foi algo mais de teatro mesmo, uma dramaturgia com começo, meio e fim. O espetáculo fala da exploração do homem pelo homem, a realidade da vida, as relações humanas. Incluindo nisso, é claro, o palhaço e artifícios de circo, como: malabares, perna de pau, e outros que ajudam a contar a história. Temos uma relação muito boa com as pessoas na rua e procuramos levantar assuntos que acreditamos poder ajudá-las de alguma forma — declara Fernando.

Mobilização em defesa do Viomundo reúne mídia alternativa em SP


Um movimento surgido neste sábado (30) nas redes sociais está convocando uma reunião em defesa do Blog Viomundo e do jornalista Luiz Carlos Azenha para as 17 horas desta terça-feira (2) na sede do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé – rua Rego Freitas, 454, 1º andar, República, Centro de São Paulo.


Na sexta-feira (29) à noite, após tomar conhecimento de que perdera uma ação judicial movida por Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo, Azenha anunciou o fim do blog.

Ele argumenta que não tem como pagar os R$ 30 mil impostos pela sentença, mais os gastos que terá com advogados para recorrer em outras instâncias, e, ao mesmo tempo, manter o blog. E desabafa:

“Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão – entre outros que teriam se beneficiado do regime de força – houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento Pasquim. Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.”

O Portal Vermelho manifesta plena solidariedade ao companheiro Azenha e se associa a todas as iniciativas para que o Viomundo – veículo de informação e análise indispensável ao movimento político e social progressista – se mantenha no ar. “Ao mesmo tempo, deploramos que no Brasil os grande grupos privados que exercem o monopólio dos meios de comunicação sigam atuando impunemente quando tolhem o direito democrático de informação do povo brasileiro”, disse o dirigente do PCdoB e editor doVermelho, José Reinaldo Carvalho.

Em mensagem enviada ao Viomundo, o coordenador nacional do MST, Joao Pedro Stedile, afirma que leu com muita preocupação a notícia do julgamento. Ele reforça que além de solidários, os militantes do MST também são gratos ao trabalho jornalístico, sério e informativo, desenvolvido por Azenha. “Não desanime diante da voracidade dessa classe dominante que não mede consequências para manter seu poder e privilégios. Estamos contigo! E por favor, não desista do seu blog”, diz. 


Da Redação,
com informações da Rede Brasil Atual

Azenha: Globo consegue calar a imprensa alternativa


Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.


Por Luiz Carlos Azenha*, no blog Viomundo


Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.

Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.

Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.

Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.

Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.

Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Veja para escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.

Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.

Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.

Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.

No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.

Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.

Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.

Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.

Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.

Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.

Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.

O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.

Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.

Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?

O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.

Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.

Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.

Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão — entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.

Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.

E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.

Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.

Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira.

*Luiz Carlos Azenha é jornalista e blogueiro
** Título original: "Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa"

Exposição marca 100 anos de Lasar Segall no Brasil


Há cem anos o pintor modernista Lasar Segall fazia a sua primeira exposição no Brasil. Após os estudos na Alemanha, onde se inspirou nos expressionistas, e de uma passagem pela Holanda, mostrou mais de 50 obras que puderam ser vistas em São Paulo e Campinas (SP). Apesar das obras, que já traziam os traços do modernismo, serem recebidas com algumas restrições pela crítica local, quase a metade foi vendida.


Quatro telas do pintor ainda jovem, à época com 21 anos, podem ser vistas na exposição que o Museu Lasar Segall abriu este mês. São 50 obras selecionadas entre os mais de 3 mil itens do acervo da instituição que incluem pinturas a óleo, pinturas sobre papel, esculturas, gravuras e desenhos.

A curadora da exposição, Vera d'Horta, disse que o estranhamento na primeira mostra de Segall se deve aos traços modernistas dos trabalhos. Os traços vigorosos foram chamados de “exageros” ou até “defeitos” pelos críticos desapareceram com o amadurecimento como pintor. “O próprio vocabulário da crítica denota a expectativa quanto a estética da pintura. Uma arte mais acadêmica, clássica. Enquanto a arte dele era um pouco convulsa demais para esses padrões”, disse.

Além das pinturas e gravuras, a exposição traz documentos do arquivo pessoal de Segall, como as cartas aos amigos alemães com relatos sobre a viagem ao Brasil. Depois de oito meses no país, Segall retornou à Europa. O pintor só viria definitivamente para o Brasil em 1923.

Fonte: Agência Brasil 

Secretaria traça ações para elaboração do Plano de Cultura




Piraí
A Secretaria de Cultura de Piraí realizou o primeiro encontro com representares dos diversos setores da prefeitura e da comunidade para iniciar a implantação do Plano Municipal de Cultura.

O secretário da pasta, Charles Barizon, destacou a importância da participação da população para que o plano reflita a realidade da cultura no município e valorize costumes e tradições locais relevantes. Ele enfatizou que para a efetivação do plano serão promovidos encontros com comunidade de todos os distritos do município e com os vereadores.

- Nossa intenção é possibilitar que os vereadores participem das diversas etapas que a elaboração do Plano exigirá. Assim, quando o documento for encaminhado à Câmara certamente eles já o conhecerão em detalhes, o que facilitará sua aprovação - explicou, acrescentando que a elaboração do Plano é uma exigência do Ministério da Cultura para que o município se capacite a receber recursos para a realização de seus projetos.

De acordo com cronograma apresentado durante a reunião, os encontros com a população serão de grande relevância para o diagnóstico do que já existe em termos de produção cultura e o que pode ser feito. A Secretaria terá a colaboração do consultor Zeca Barros, que participou pela Secretaria de Cultura do Estado, de levantamentos com o mesmo objetivo nos 92 municípios do Rio.

Charles Barizon disse que o processo será desenvolvido em várias etapas. Ele afirmou que o projeto do Plano terá de ser enviado à Câmara até novembro.

- A primeira delas será a coleta de material sobre a cultura no município, incluindo história de sua criação, costumes e tradições. Os encontros com as comunidades dos distritos ocorrerão durante o mês de maio, seguindo da consolidação de todas as sugestões para encaminhamento à Conferência Municipal de Cultura - disparou.


Leia mais: http://diariodovale.uol.com.br/noticias/2,71362,Secretaria-traca-acoes-para-elaboracao-do-Plano-de-Cultura.html#ixzz2PElv56S7